26 fevereiro, 2014

GEISTESWISSENSCHAFTEN


Desde que li o Diário de Florbela Espanca em Janeiro de 1981 que sou perseguido, ainda hoje, Fevereiro de 2014, pelo enigmático dia 15 de Novembro de 1930. Dia em que o abre só para poder, ou conseguir escrever: «Não, não e não!» Isto, depois de o ter aberto apenas duas vezes em Setembro e uma única vez em Outubro, no dia 8.
Fosse hoje e, em vez do «Não, não e não!» num diário guardado numa gaveta, talvez apanhássemos com um «Foda-se, foda-se e foda-se!» no Facebook. Nada de surpreendente ou chocante. O estilo mudaria, mas a alma humana é demasiado igual a si própria para que as suas emanações fiquem, como os retratos antigos, amarelecidas pelo tempo. Olhamos para Florbela e vemos uma mulher que já não existe num tempo que já não existe. A alma humana, porém, é tão labiríntica que, andando por lá às voltas, acabamos sempre por passar várias vezes pelos mesmos sítios.