31 janeiro, 2014

31 DE JANEIRO

Edouard Boubat | Portugal, 1956

Se a revolta do 31 de Janeiro de 1891 tivesse singrado, o 5 de Outubro passaria a ser um dia tão invisível como o dia, sei lá, 15 de Março, 7 de Maio ou 12 de Novembro. Datas sem história. E o 31 de Janeiro passaria a ser uma dia cheio de densidade histórica, feriado nacional até há pouco. Mas apesar de a república chegar a ser proclamada nesse dia, a revolta falhou e foi preciso esperar mais uns anos.
Seria tentador fazer uma analogia entre um processo histórico desta natureza e processos científicos que funcionam por tentativa e erro. Na verdade, antes de chegarem a uma meta tão procurada, os cientistas desperdiçam imensos recursos que vão parar ao lixo, desaparecendo, assim, deste modo inglório, sem história que os registe. Mas há um fim. Que pode demorar a chegar, após muitas tentativas e muitos erros, mas um fim.
Como disse, poderíamos tentar compreender o 31 de Janeiro como uma tentativa falhada, anterior à verdadeira tentativa que nos conduziria ao resultado pretendido. A analogia parece tentadora. Mas trata-se, infelizmente, de uma falsa analogia. A ciência sabe que há um fim, qual é o fim e para que serve esse fim. Portugal alcançou a república, é verdade. Só que a república não é um fim. Como, aliás, quase tudo em Portugal. Vamos sempre caminhando, de erro em erro, mas sem nunca chegarmos a saber muito bem para quê.