19 setembro, 2013

TORTA DE MAÇÃ


Psicologia de 12ºano é disciplina de opção. Hoje, na aula, quis saber por que escolheram esta disciplina em vez de outra. Um aluno disse-me que tinha escolhido Psicologia porque queria compreender melhor a estupidez humana. Confesso que comecei por me sentir entusiasmado com a sua nobre motivação. Mas, depois, ao pensar nisso a caminho de casa, caí em mim e acabei por sentir alguma compaixão pela adolescente inocência da resposta.
A estupidez será sempre mais um problema antropológico do que do âmbito da Psicologia e quem a entendeu melhor do que ninguém foi Kant no seu famoso Ideia de uma História Universal com um Propósito Cosmopolita, publicado em 1784, onde, na 6ª proposição, diz que "de um lenho tão retorcido de que o homem é feito nada de inteiramente direito se pode fazer", filosófica frase que em bom português significa que o que nasce torto dificilmente se endireita.
O que eu acho verdadeiramente espantoso no ser humano não é a estupidez. Tanto a estupidez como o bom senso serão as coisas mais bem distribuídas. Só que enquanto a primeira surge por inerência antropológica, o bom senso que, felizmente, também existe, parece-me cada vez mais um verdadeiro milagre. Para percebermos a estupidez humana basta ao homem ver-se ao espelho, nu e sem qualquer tipo de maquilhagem. Bem mais complexo é perceber a fuga à estupidez, ou o seu disfarce, através de sucessivas conquistas sociais, como um dique holandês que consegue conquistar terra ao mar e evitando terríveis inundações. Para perceber isto, sim, pode a Psicologia ajudar. Embora o risco seja elevado: entrarmos mais cínicos na vida adulta.