10 agosto, 2013

SERPENTEZINHA DE RABO NA BOCA

Paulo Nozolino

Ontem, na urgência do hospital, no outro lado do guichet a menina pergunta-me se é doença ou queda. Pensei logo no espanto de S. Agostinho perante o que julgaria ser tão redundante pergunta. A pragmática lógica do quotidiano é mesmo muito diferente da simbólica lógica da teologia. Mas uma coisa haverá em comum entre as duas: a serpente. A repugnante e maliciosa serpente edénica é a mesma serpente de Asclépio com que os médicos nos curam. As consequências, essas, é que são diferentes. Enquanto uma coisa chamada Azitromicina já começou a fazer-me efeito, a radical mácula antropológica ainda espera pelo seu antibiótico.