16 agosto, 2013

BZZZZZZZZ

Ken Graves & Eva Lipman

Já homem maduro, Turgueniev, em carta a um amigo, reduz os seres humanos à condição de moscas que embatem incessantemente contra uma vidraça. A razão para isso é metafisicamente cruel: pior do que não haver solução para o enigma da existência humana é não haver solução porque já nem sequer há enigma.
Sendo assim, mal por mal, antes sermos simples e vulgares moscas do que varejeiras. Quanto mais pesada e ruidosa for a mosca mais custará o embate contra o vidro. Se tivermos que bater, que seja o mais leve possível. Vivermos discretamente para morrermos também discretamente. Moscas, sim, mas batendo só assim de levezinho na vidraça, tão levezinho, tão levezinho que nem damos pelo reflexo da nossa existência na superfície do vidro.