02 abril, 2013

MARIA DO CARMO SEABRA

Bertil Nilsson

Pedro Lomba, no Público de hoje: 

«Quando Cavaco Silva escreveu e compendiou as reformas da década em que foi primeiro-ministro, inaugurou um estilo. Todos os primeiros-ministros desde essa data se proclamaram grandes reformistas. Falar de reformas entrou no léxico vulgar dos políticos de qualquer governo. Mesmo quando só há dinheiro gasto e nenhuma reforma. Isto recomendaria talvez, como alguns dizem, que os nossos políticos pensassem duas vezes antes de entrarem em reformite aguda. Às vezes é melhor não mexer, não fazer e não estragar».

Eu li isto e lembrei-me das sábias palavras de um dos duques de Wellington, ainda no século XIX: «Reform, reform, reform. Aren't things bad enough already?» 
Se por acaso me puser a pensar no melhor ministro da Educação que já conhecei enquanto professor, o nome que me vem à cabeça lembra o de um fantasma: Maria do Carmo Seabra. Ao contrário de nomes sonantes, Roberto Carneiro, Maria de Lurdes Rodrigues, João de Deus Pinheiro, Marçal Grilo ou Manuela Ferreira Leite, temos que fazer algum esforço para nos lembramos que tivemos uma ministra da Educação chamada Maria do Carmo Seabra. É normal. Foi ministra durante apenas oito singelos meses. E o que fez ela? Nada. Exactamente: nada. Dizer isto será uma ofensa à sua memória? Pelo contrário, é a melhor homenagem que lhe posso hoje aqui prestar. As saudades que eu tenho desta ministra com mãos de fada, que nunca usou e abusou das suas mãos para deixar a sua marca, o seu peso, o seu cheiro sobre as nossas cabeças cada vez mais cansadas e vazias.