15 março, 2013

PLURALISMO


ELLIOT ERWITT

Os jovens revelaram sempre uma grande dificuldade em ver o mundo através dos olhos dos outros. Eu já fui jovem e lembro-me de mim, armado com um livro debaixo do braço para tentar ser um intelectual de esquerda, convencido de que uma pessoa só poderia ser verdadeiramente feliz se desejasse o que eu desejava, se fizesse o que eu fazia e tivesse os meus projectos de vida. Outros pensavam o mesmo embora com desejos, acções e projectos diferentes dos meus. Daí algum paternalismo perante aqueles cujas vidas são diferentes, vistos como ingénuas crianças desviadas para caminhos que se afastam do verdadeiro caminho devido à ignorância ou fraqueza de espírito.
Com a idade fui  percebendo que se pode ser feliz de muitas e contraditórias maneiras. Eu sei do que preciso para ser feliz mas também sei que muita gente, para ser feliz, precisa do oposto do que eu preciso. Os valores, mesmo aqueles que consideramos bons, positivos, saudáveis, são contraditórios. O que faz algumas pessoas felizes é precisamente o que faz outras infelizes e vice-versa. Umas gostam de silêncio, outras gostam de barulho, umas gostam de vermelho, outras gostam de verde, umas gostam de dançar, outras gostam de estar quietas, umas gostam de doces, outras gostam de salgados. E podem todas elas morar pacificamente no mesmo prédio.