21 fevereiro, 2013

VALHA-LHES DEUS

Duane Michals

Eu não acho que os padres católicos que têm problemas com o sexo, os tenham por serem padres. Acho, sim, é que há gente que decide ser padre por já ter, à partida, problemas com o sexo.
Não se tem que ficar com taras sexuais por se fazer voto de castidade. A esmagadora maioria das pessoas que viveram toda a sua vida sem relações sexuais não desenvolveu patologias sexuais por causa disso. Outras há que estão anos e anos nessa situação sem que isso provoque alteração do comportamento. 
Não temos que tentar perceber por que razão, um pouco por todo o mundo, há tanto padre católico sexualmente criminoso.Temos, sim, que tentar perceber o que levou essas pessoas a quererem ser padres. Para serem bons cristãos? Mas pode-se ser um excelente cristão sem ser padre. Ir à missa todas as semanas, agir como um cristão ou até mesmo ter uma militância activa numa organização cristã. Porquê, então, ser padre católico? Um padre protestante sabe que pode casar e ter filhos. Sabe que, neste aspecto, ser padre é como ser professor, médico, canalizador ou empregado de escritório. Mas um padre católico sabe que, por sê-lo, não poderá ter relações sexuais, não pode apaixonar-se, ter mulher, ter filhos. 
Por que razão, então, aceitará sacrifício? Posso responder de duas maneiras. Por um lado, pode não ser um sacrifício. Pode achar que não gosta de sexo, ter medo do sexo, ter um qualquer complexo ou trauma que o leve a pensar que prefere rejeitar o sexo. Só que, se for esse o caso, isso significa que, à partida, já existe um problema com o sexo. Vamos então supor que se trata mesmo de um sacrifício. Que gosta de sexo, que se sente atraído sexualmente por outras pessoas, que tem uma libido activa. Neste caso, porque rejeita tudo isso para aceitar ser padre católico? Porque não assume uma vida sexual normal, sabendo que pode ser um bom cristão de mil e uma maneiras possíveis?
Esta história de tantos e tantos padres católicos que padecem de desvarios sexuais merecia um estudo sério. Ser padre não implica ser doente. Mas é provável que a muito doente dê bastante jeito vir a ser padre.