26 fevereiro, 2013

MENOS PLATÃO, MAIS PROZAC

       Eugenia Arenas | Adios Cabareteras!

Sabe quem era o principal alvo da feroz crítica de Platão à democracia? Péricles. Sim, esse mesmo, o grande Péricles, um dos mais conceituados políticos de todos os tempos. E porquê? Por achar que nada fez para tornar a sociedade mais justa e virtuosa, preocupando-se sobretudo com obras de fachada e desenvolvimento material, relegando para segundo plano a obrigação do Estado em tornar os seus cidadãos melhores pessoas.
Imagine agora o que pensaria Platão ao saber que José Sócrates, o engenheiro vários anos à frente dos destinos de Portugal, para além de uma vida luxuosa à custa dos rendimentos, não passa hoje de um vulgar consultor de uma empresa de produtos farmacêuticos. Exacto: um estadista, um homem de Estado, um homem que comanda um país, passando a vender enciclopédias porta a porta. Imagine ainda a cabeça de Platão se conhecesse o seu percurso político e académico antes de ser primeiro-ministro. Assim como do seu sucessor no governo de Portugal ou do sucessor do sucessor, Tozé Seguro. E o que pensaria Platão se visse uma criatura como Miguel Relvas, um dos principais eixos deste governo, a reflectir num Clube dos Pensadores. E no que pensaria Platão ao ver a nossa democracia ser comandada por anões políticos, incompetentes e manobrados por interesses que ultrapassam pela direita e pisando traços contínuos, os verdadeiros interesses do povo que os elege.
Não sou ingénuo para me deixar embalar pelo conhecido ódio filosófico de Platão à democracia. Nem vou cair na patetice de dizer que o facto de um país ser governado por estadistas como Churchill, De Gaulle, Willy Brandt, Mitterrand, Soares ou Sá Carneiro, implica só por si um país bem governado e isento de problemas. E acho mesmo perigoso, como ensina a história, quando os políticos se metem a querer tratar das virtudes morais e humanas dos cidadãos.
Mas, caramba, convinha não exagerar. Está a ver aqueles pastores que, seja por solidão serrana, seja por problemas de alcoolismo, sentem necessidade de saciar os seus desvairados apetites sexuais nos pobres caprinos dos quais tomam conta? É isto que me ocorre pensar quando penso neste pobre povo nas mãos de gente tão atrozmente incompetente. Não passamos de lusas ovelhas apascentadas há anos por insaciáveis pastores que, em vez de zelarem pelos nossos interesses, nos atiram com a peganhenta e viscosa marca da sua libido dominandi. Deveríamos, de uma vez por todas, passar a ter vergonha na cara e mandá-los para de onde nunca deveriam ter saído, evitando-se assim a perpétua ideia do poder como um cabaret onde os interesses do dinheiro são os que mais contam.