25 fevereiro, 2013

DOS CONSERVADORES


    Edward Steichen

"Ao contrário da ciência, a cultura não é um repositório de informações factuais ou verdades teoréticas, nem uma espécie de treino de competências, sejam retóricas ou práticas. Contudo, é uma fonte de conhecimento: conhecimento emocional relativamente ao que devemos fazer e ao que devemos sentir. Transmitimos este conhecimento através de ideais e exemplos, de imagens, narrativas e símbolos. Através de formas e ritmos musicais, de ordens e padrões do ambiente que construímos. Tais expressões culturais emergem como resposta à nossa percepção da fragilidade da vida humana, representando um reconhecimento colectivo de que dependemos de coisas que estão fora do nosso controle.
Todas as culturas, portanto, têm as suas raizes na religião, e a partir da raiz a seiva do conhecimento moral espalha-se através de todos os ramos da especulação e da arte. A nossa civilização foi desenraizada. Mas uma árvore nem sempre morre quando é arrancada. A seiva pode encontrar o seu caminho por entre os ramos, terminando em folhas, todas as primaveras, com a esperança perene das coisas vivas. Eis a nossa condição, sendo por esta razão que a cultura se tornou não apenas preciosa para nós, mas uma genuína causa política, a via mais elementar para conservar a nossa herança moral e mantermo-nos firmes perante um futuro sombrio. (...)
As nossas instituições educativas oferecem posições privilegiadas para aqueles que desprezam os velhos valores, velhas hierarquias e velhas formas de ordem social que desapareceram dos actuais curricula."


Depois de 12 anos na escola, o que sabe um estudante de 18 anos acerca dos grandes mitos do Ocidente? E da Bíblia, o livro dos livros do qual depende, para o bem e para o mal, a estrutura da nossa consciência social, da nossa sensibilidade, da nossa moral? E de pintura? E da grande música? E de cinema, e de teatro? Em suma, com que formação cultural sai um jovem da escola? A questão da cultura não se resume, hoje, à história da menina que toca piano e fala francês, podendo, com isso, afirmar-se socialmente e casar com um menino que se senta a ouvir a menina a tocar piano e com a qual fala francês. A formação cultural, hoje, é uma questão de sobrevivência de um mundo que não pode desaparecer pois, quer queiramos, quer não, é o nosso mundo e não deveríamos perdê-lo sem sabermos se o outro que virá será melhor.