28 janeiro, 2013

SUINICULTURA

   Diane Arbus

Diz Stuart Mill que é preferível ser um ser humano insatisfeito do que um porco satisfeito [Utilitarismo, 1871]. Significa isto que, para ele, os prazeres superiores serão sempre preferíveis aos prazeres inferiores, ainda que a intensidade e a duração destes últimos possam ser maiores. Um porco com uma vida cheia de prazeres continua a ser um porco, nunca tendo chegado a usufruir do prazer de uma bela sinfonia, de um bom livro, de uma estimulante conversa ou até de uma bonita paisagem. 
E argumenta ele que qualquer ser humano normal pensará assim, uma vez que quem já tenha passado pelo primeiro tipo de prazer jamais aceitaria rebaixar-se ao nível do segundo. Ou seja, quem já passou pelo prazer de uma bela sinfonia ou de um bom livro, jamais poderá contentar-se com a felicidade de uma vida de porco, por muito intensos e duradouros que sejam os seus prazeres.
Eu compreendo o seu argumento. Só que ele parte do princípio de que um ser humano normal terá previamente passado pelos primeiros prazeres para depois os preferir em detrimento dos segundos. O problema, e isso é um verdadeiro problema, é que há cada vez mais pessoas, mesmo depois de doze anos numa escola, em cujas vidas conhecem apenas os segundos, exibindo cada vez mais, com orgulho e sem preconceitos, a sua suína satisfação. Alguém que se vê ao espelho e não vê mais do que um porco satisfeito,  sentirá pena de quem não gosta de chafurdar na lama.