26 janeiro, 2013

      Jacques Tati em Nova Iorque |1958

Esqueci-me de escrever um título no post anterior. Foi a primeira vez que tal me aconteceu. Claro que, como em todos os outros, eu tinha um título para ele. Mas pronto, esqueci-me.
Não me custaria escrever agora o título que lhe falta. Até porque soa um pouco estranho, mesmo visualmente, ver um post sem título. Os romances, os ensaios, as notícias de jornal, os filmes, as canções, as pinturas, as fotografias, tudo tem título. Até aquilo que não tem título tem um título que é "Sem Título".
Mas entretanto decidi transformar este esquecimento numa espécie de público elogio da imperfeição e do erro. Não é o mesmo que ser subversivo e naturalmente do contra. Eu não sou subversivo e a minha natureza conservadora e reaccionária não tem a menor paciência para a subversão. Há duas maneiras de ser subversivo e ambas absolutamente irritantes: aquela que luta contra a imperfeição em nome da perfeição, vindo sempre a descambar numa imperfeição ainda maior, e outra que luta contra a perfeição, mas perseguindo obsessiva, intencional e conscientemente a imperfeição, o que não deixa ser a busca de uma certa perfeição, só que ainda ainda mais estúpida e irritante do que a anterior.
A imperfeição que aqui louvo é bem diferente. É a imperfeição humana, simplesmente humana, de quem é imperfeito, sem pensar nisso mas apenas porque existe. E, lá nisso, sou orgulhosamente imperfeito, desejando levar um dia para o além a mesma imperfeição com que fui dotado por ser feito de barro e não de mármore ou de um metal precioso. Com barro me fizeram, em barro haverei de me desfazer.