16 janeiro, 2013

A NOITE E O RISO


Detesto fazer balanços, topes tenes disto e daquilo, essas coisas assim. Mas hoje dei comigo, inesperadamente, a pensar qual terá sido o melhor filme que vi ou revi em 2012. Foi, sem dúvida, de longe, O Cavalo de Turim, do húngaro Bela Tárr. Vi-o com o mesmo entusiasmo e intensidade com que uma criança vê  um filme de desenhos animados. Poderia ter passado uma tarde inteira a vê-lo. Durasse o filme 4 horas e eu estaria 4 horas a vê-lo. Acabei de o ver tão excitado como quando comecei. Não que o filme seja propriamente divertido. Não é. Vendo bem, até não é mesmo nada divertido. As personagens não falam, não fazem humor, não escorregam em cascas de banana, limitam-se a andar por ali como se ali houvesse alguma coisa. Pronto, isso não é divertido. Mas se pensarmos que uma das personagens mais divertidas de todos os tempos se chama Yorick, fica tudo explicado. Yorick nada diz, nada pergunta, nada responde, nada faz de especial, limita-se apenas a estar ali. Mas sem nunca parar de rir. Numa prisão chamada Dinamarca, «com muitas clausuras, celas e masmorras» Consigo imaginar facilmente o seu eterno riso. Com tanta clausura, cela e masmorra, deve fazer um eco do caraças.