30 novembro, 2012

MESTRADO DE CULINÁRIA

                                                                      Christer Strömholm

Fiz anos há pouco tempo e a minha filha ofereceu-me um livro com receitas de culinária. Quando ela era criança queria oferecer-me livros porque sabia que era disso que o pai gostava e era isso que o pai queria. Mas, coitadadinha, perante tanto livro com nomes estranhos no escritório do pai, nunca sabia o que comprar. Um ano, chegou mesmo a perguntar-me que livro eu queria me oferecer.
Ter agora recebido dela um livro com receitas de culinária foi duplamente, digamos assim, engraçado. Por um lado, porque a criança de ontem é hoje uma mulher a quem basta a sua própria cabeça para saber que livro comprar. Mas também por se tratar de um livro com receitas de culinária. É bom ser pai e saber que um filho já não sente angústias por não saber que tipo de livro comprar, se de filosofia, se de literatura, se de história ou outra coisa qualquer do género com nomes difíceis. Que simplesmente vê o pai como alguém dentro de uma cozinha, de avental ao pescoço, absorvido em mais uma desafiante experiência com um tamboril ou uma tarte de limão, longe de um sofá onde um velho que gosta de livros se abandona nos braços dos seus mortos, mas para ser usufruída à volta de uma mesa onde a comida acaba depressa mas em que os afectos para sempre perdurarão.