25 outubro, 2012

DISTOPIA FEMININA


Eu nunca fui homofóbico e tentei sempre gerir com elegância, civilidade e racional sensatez, a questão da homossexualidade. Admito, porém, que enquanto jovem, encarava o assunto com um certo sentimento de condescendência e tolerância. Pode parecer simpático e merecer elogio. Mas era mau, pois tolerar ou condescender implica, sim, é verdade, aceitar uma coisa, mas que no fundo preferíamos que não fosse assim e estivesse mais de acordo com os padrões convencionais. Com o tempo fui percebendo cada vez melhor que não é isso que é essencial e me interessa numa pessoa. Interessa-me, sim, se é moralmente boa, boa companhia, merecedora da minha amizade. Hoje, já não posso dizer que sou tolerante ou condescendente perante um homossexual. Hoje, já nem sequer penso nisso.
Ora, o mesmo já não posso dizer das feministas. Nunca suportei feministas e continuo a não suportar. Aliás, nem sequer as tolero, assumindo aqui perante a infimíssima parte da humanidade que lê este blogue, ser gente para a qual não tenho a menor paciência. Desta vez, trata-se da série "There Will Be Blood" da fotógrafa Emma Arvida Bystrom (nem a propósito, o apelido faz lembrar o Dystron, aquele líquido para a higiene íntima da mulher mas que excepcionalmente os homens também podem usar quando se acabou o sabonete e não há tempo para sair todo molhado da banheira para ir à dispensa buscar o que ficou no saco das compras).
Eu até percebo que a menstruação seja uma coisa que mexa com as mulheres: altera-lhes a rotina, o sistema nervoso, têm que ter outros cuidados, pode provocar desconforto ou dor. Pronto. Outra coisa é, com o pretexto de a desmistificar, fazer de uma simples e vulgar função biológica, motivo de orgulho feminino ou sentir prazer em exibi-la e partilhá-la com o resto da humanidade, quer tenha menstruação, ou não tenha, como é, felizmente, o meu caso.
Claro que é possível fazer poesia com a menstruação. Partindo dela, Herberto Helder escreveu um dos meus poemas preferidos e que me acompanha desde o liceu. Mas sendo um poema sobre a menstruação não é um poema sobre a menstruação. Sinceramente, não sei muito bem sobre o que é o poema tal como acontece com quase todos os meus poemas preferidos.
Mas as feministas fotografias desta série não servem absolutamente para nada. Diria mesmo que são uma espécie de poesia distópica que em vez de elevar a mulher, acaba por reduzi-la à sua vulgaridade biológica. As mulheres merecem ser melhor tratadas. E a melhor maneira de as tratar é elevá-las e não rebaixá-las a uma condição que não é boa nem má, interessante ou desinteressante. A mim, como homem, a menstruação não me aquece nem arrefece. Creio ser isso que as mulheres também gostariam de poder dizer. Sim, eu sei que não podem, pois todos os meses lá vem ela. Mas não é preciso fazer disso um motivo de orgulho.