12 junho, 2012

15 MINUTOS


B.W. Yo siempre fui un tipo que intentaba dirigirise al mayor número de personas. No me interesaba escribir revelaciones profundas, ni crear una obra como Esperando Godot. No me interesaba. Lo que quería era elevar el gusto de la persona corriente, elevarlo um poquito. Con algunas películas, sucede que la gente las olvida en cuanto sale del cine. Si unas personas ven una película mía y luego se sientam en un café a hablar de ella durante quince minutos, me parece una recompensa magnífica. Me basta.
C.C Quince minutos le parecem suficientes?
B.W. (Hace una pausa y reflexiona.) Quince minutos es lo mínimo.
(Risas.)
Cameron Crowe, Conversaciones con Billy Wilder, Alianza Editorial (Cine y Comunicación)

A minha adoração pelos filmes de Wilder é inversamente proporcional à minha embirração com os filmes de Godard. É um daqueles realizadores que me lembra sempre a selecção da Dinamarca no ano em que foi campeã da Europa: aparece ali como quem não quer a coisa, assobiando distraidamente para o ar, para depois arrasar.
Não tenho a menor paciência para quem passa o tempo a dizer, de megafone na boca "Olhem para mim, vejam como eu sou inteligente e profundo, como sou digno de admiração e reverência". Aliás, se formos bem a ver, muito do que ainda hoje é considerada grande arte, arte que sobreviveu ao ritmo implacável da ampulheta, é arte feita para o gosto comum e para a inteligência comum. As tragédias gregas ou o teatro de Shakespeare não foram feitos para serem vistos por meia dúzia de eleitos em obscuros gabinetes fáusticos. A grande arte pictórica, escultórica e arquitectónica que ainda hoje nos encanta foi produzida em função do gosto comum e para ser usufruída publicamente. Muito do que se tornou literatura clássica foram textos para serem lidos em jornais ou revistas e acessíveis a quase todos os que sabiam ler. E as óperas de Mozart eram vistas e ouvidas por todos.
Wilder assume nesta entrevista que, com os seus filmes, não teve a veleidade de mudar radicalmente o gosto das pessoas e promover uma nova ordem estética e intelectual. Fazer pensar enquanto se ri ou fazer pensar enquanto se chora já seria, para ele, missão suficientemente nobre.
E tem toda a razão quando diz, com humor, que, afinal os 15 minutos de que fala não são o máximo mas o mínimo para se falar dos seus filmes. Quem faz filmes com o objectivo de falar deles durante horas, arrisca-se a que não se fale mais do que 15 minutos. O contrário é que não é para todos: fazer filmes ligeiros, ou aparentemente ligeiros, para deles se falar durante 15 minutos e ficarmos o resto da vida a vê-los e a falar deles.