12 março, 2012

SEM SOMBRA DE SUPERSTIÇÃO

Craig Persel

Irei hoje passar numa aula de Psicologia o filme Orgulho e Preconceito, que nunca vi, sendo sugerido por uma aluna para o tema que estamos a analisar nas aulas. Aceitei a sugestão e iremos vê-lo hoje.
Ontem de manhã, e sem eu ter pedido o que quer que fosse, um amigo enviou-me por mail o Orgulho e Preconceito, sem fazer ideia de que eu iria vê-lo no dia seguinte.
Também ontem, numa viagem de comboio entre o Porto e o Entroncamento, senta-se uma universitária a meu lado. Depois de arrumar as malas, puxa de um portátil, liga-o, abre uma pasta com dezenas de ficheiros e, passado um pouco, começa a ver um filme. E que filme será, pergunto eu, retoricamente? Isso!
Eu não queria acreditar e apesar de ainda há pouco tempo ter ensinado nas minhas aulas de filosofia a muito cartesiana dúvida hiperbólica, tive mesmo que me render ao peso da realidade e aceitar o que os meus olhos viam mas a minha mente, perplexa, estava relutante em aceitar.
Eu posso ter mil e um defeitos. Mas tenho a mais absoluta certeza de que deles não fazem parte o orgulho e o preconceito. Não sou nada orgulhoso e relevantes preconceitos serão difíceis de encontrar em mim. Felizmente, e com claro benefício para a minha saúde mental, também não sou nada, mas mesmo nada, supersticioso, nem acredito em maquiavélicos sortilégios do sobrenatural.