17 janeiro, 2012

VERDADEIRAS CORES

                                                                         Erno Vadas

Durante a aula falou-se de cores. O que é o vermelho, o verde ou o azul? Como definir "vermelho", "verde"  ou "azul"? Como explicar a um cego, que nunca viu cores, a diferença entre o vermelho, verde e azul? Pronto, esse tipo de coisas. Entretanto, veio à baila a identidade do preto e do branco. Uns, diziam que o branco é a ausência de cor e o preto a mistura de todas as cores. Outros, que não, que é precisamente o contrário: o preto é a ausência de cor e o branco a mistura de todas as cores.
O que me interessa agora é apenas salientar o espantoso facto de, contrariamente ao que acontece com todas as cores intermédias, o preto e o branco, sendo cores radicalmente opostas, poderem ambas encaixar em definições igualmente opostas, ou seja, tanto na "ausência de cor" como na "mistura de todas as cores". No fundo, e contrariamente ao que se passa com as cores intermédias, há aqui uma promiscuidade entre o tudo e o nada, uma possível confusão entre uma coisa e o seu contrário.
É por isso que, apesar de gostar muito de fotografia a preto e branco, prefiro muito mais um mundo de múltiplas cores, de múltiplos matizes, um mundo de cores claras, de cores escuras e de cores intermédias, um mundo de cores quentes e de cores frias, um mundo de cores suaves e de cores fortes. Reduzir o mundo ao preto e ao branco é quase sempre um sinal de perigo, de ameaça, de uma percepção do que parece  evidente mas que é marcado pelo tom excessivo do tudo ou nada. Um mundo a preto e branco será sempre um mundo de perigos, arbitrariedades e que esconde a esplendorosa, exuberante e maravilhosamente  ambígua pluralidade do mundo e da vida.