21 janeiro, 2012

DOS CONSERVADORES

                                                                 Lucas Cranach | Sansão e Dalila


Há tempos, numa aula, não havia um único aluno que tivesse alguma vez ouvido falar em Sansão e Dalila. Fiquei perplexo. Apesar de nunca ter frequentado a catequese, passei a instrução primária a ouvir histórias bíblicas contadas pela minha catolicíssima e reaccionaríssima professora. Mas isso era num tempo em que as professoras primárias sabiam mais de histórias bíblicas do que de teorias pedagógicas, psicológicas, psicopedagógicas e psicossociais, engolidas à pressa numa qualquer escola superior de educação.
Aos 20 anos, nos meus velhos tempos de ateísmo e anti-clericalismo exacerbado, seria capaz de achar piada à ideia de uma orgia romana iluminada por archotes feitos de folhas da Bíblia a arder. Hoje, confesso, imagino-me mais facilmente a dar aulas de catequese no salão paroquial cá da terra. Sou tão ateu como antes. Mas aprendi a dar valor ao que é eterno e a desvalorizar o lixo que sobra de alimentos cujo prazo de validade será sempre reduzido.