31 outubro, 2011

GÉRARD CASTELLO LOPES



Imperdível, para quem gosta de fotografia, a exposição de Gérard Castello Lopes no BES Arte & Finança (até 12 de Janeiro). 156 fotografias, abrangendo várias fases do seu trabalho.
Conhecia dele o que quase toda a gente conhece (muito pouco, esqueçam o Google Imagens). E se já o admirava, com esta exposição fiquei absolutamente rendido. Estamos, sem dúvida, perante um fotógrafo incontornável na história da fotografia da segunda metade do século XX. 
Podemos admirar a sua fotografia a partir de várias entradas: as paisagens humanas, o impecável claro-escuro de algumas fotografias (assombroso o retrato da mulher do compositor Luís de Freitas Branco), as possibilidades narrativas de outras, a elegância formal de certas imagens. Mas o que verdadeiramente me impressionou em muitas fotografias é o modo fabuloso como, de um modo natural e sem truques, consegue, no mesmo plano, fragmentar o real, criar descontinuidades. Como se fotografasse realidades completamente diferentes que, depois de coladas, surgiriam artificialmente lado a lado, confundindo o nosso sentido de percepção, obrigado a dividir-se entre o mesmo e o outro através de dois planos separados sem o estarem efectivamente.
Discípulo de Cartier-Bresson, Castello Lopes vai bem mais longe, assumindo em muitas das suas fotografias a exploração de elementos formais que lhe conferem uma identidade e um padrão autónomo relativamente ao grande génio francês.
Repito: imperdível.

4 comentários:

Anónimo disse...

contingências da geografia. Imperdível é, por cá,PORTO, no CPF,“Marín. Fotografias 1908-1940”, de 15 de Outubro a 18 de Dezembro - uma das figuras mais relevantes da fotografia e do fotojornalismo gráfico espanhóis do século XX, em especial antes e dt a guerra civil de Espanha.
E ainda outra exposição, "O PREC já não mora aqui”, no mesmo lugar, de 24 de Julho a 6 de Novembro, onde o contraste do ideal revolucionário, a formação de cooperativas, sindicatos, reforma agrária, todas as formas de organização política nascidas da revolução bolchevique e do sonho do comunismo internacional, a actualidade económica da região centrada na agricultura, exploração das minas e indústria corticeira..., e o que sobrou... e atendendo ao momento actual, torna-se mais premente ver.
Fui ver e, como sempre, no CPF , há sempre algo que me deslumbra. Começando pelo edifício.
Atentamente, E.

José Ricardo Costa disse...

Obrigado pela informação. Duas exposições a ter certamente em conta. Quanto ao CPF, sim, tem toda a razão, também gosto muito do edifício, por dentro e por fora.

jrd disse...

Imperdível sem dúvida.

José Ricardo Costa disse...

Boa, já somos dois a pensar o mesmo!