18 outubro, 2011

FLUXO MENTAL

Virginia (antes de ser Woolf) e Vanessa (antes de ser Bell)

Fui à Worten para comprar uma varinha mágica e, ao passar pela secção dos livros, dei com o Mrs. Dalloway na secção infantil. Surpreendido, pus-me a pensar na possível razão de tão bizarra escolha, tentando pôr-me mentalmente no lugar do seu mentor. Estava eu a fazer esse difícil e ingrato exercício quando, de repente, me lembro da minha melhor aluna de sempre.
Aluna que ao longo dos períodos e nos exames de 12ºano, teve 20 a disciplinas isentas de ambiguidade como são a matemática, química e biologia. Comigo, porém, nunca o conseguia. Porquê? Por não saber? Por ser distraída e desconcentrada? Não. Falhava porque sabia e pensava demais, errando sempre em questões de escolha múltipla. Olhava para algumas afirmações falsas e era capaz de as tornar verdadeiras graças a um processo mental complexo. Depois dos testes explicava-me esses processos mentais e eu, desconsolado, compreendia a verosimilhança dos seus argumentos.
Ora pode ter sido um infeliz incidente mental desse género que baralhou o funcionário da Worten. Muito provavelmente um excelente aluno a psicologia que, lembrando-se de Piaget, entenderá o fluxo de consciência como um processo mental pré-racional próprio de crianças e não de adultos com os seus raciocínios hipotético-dedutivos.
Seja qual for a explicação, teremos que pensar sempre neste funcionário como um ser humano cujos fluxos mentais terão tanto de complexo como de descontrolado. Pena ter-se esquecido dos tampões.

2 comentários:

jrd disse...

Antigamente as varinhas mágicas tinham a ver com fadas, logo, literatura infantil.
Poderemos pois dizer, que o texto resulta de um fluxo mental lógico.

José Ricardo Costa disse...

Entretanto, lembrei-me que as actuais varinhas mágicas bem poderiam contribuir para triturar muitos pensamentos que por aí andam, demasiado sólidos para os nossos olhos e ouvidos.