18 setembro, 2011

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DA INDUÇÃO


                                                                    Alfred Eisenstaedt

A indução é um tipo de raciocínio muito usado, e bem, na investigação científica. Perigoso, muito perigoso mesmo é o modo como, no dia a dia, os naturais processos indutivos da mente humana nos podem levar por maus caminhos.
A história que se segue é deliciosa. Depois da sua grande viagem, Darwin dedicou-se, na sua própria casa, ao estudo dos Cirrípedes (percebes). Só isso explica que um dos seus filhos mais novos tenha perguntado ao filho de um vizinho: «Em que parte da casa é que o teu pai trabalha com os Cirrípedes dele?».
Compreender o que consideramos normal ou anormal passa um pouco por aqui. O que é normal? O que costumamos ver à frente. O que não é normal? O que não costumamos ver à frente. Infelizmente, vejo muita coisa à minha frente que gostaria de não ser obrigado a ver. O que faço? Desvio os olhos para o que verdadeiramente me interessa e considero normal.
Eu não considero normal uma coisa só porque a vejo à minha frente. Faço antes por viver a vida de modo a poder ver à minha frente o que penso ser normal. É isso que faz também de mim um adulto e não uma criança com voz grossa.

4 comentários:

josé manuel chorão disse...

Totalmente de acordo. O normal é o que nós estabelecemos como tal, segundo uma consciência livre, e nunca pode ser o que nos tentam impingir como sendo normal.
A sociedade está cheia de situações e gente anormal a querer ser tomada como normal.
Não é normal, p exº, um país ser desgovernado por criminosos como sócrates (minúscula propositada); não é normal ligar a televisão e ter de gramar alberto joão jardim a ofender-nos enquanto espalha perdigotos em redor; não é normal ter de aturar tanto cinismo em nosso redor e fazer cara alegre como se não percebessemos o que se passa.
Porque nos habituamos ao anormal e o encaramos como se de normalidade se tratasse? Pura cobardia?
Ainda bem que não é o teu caso.

José Ricardo Costa disse...

Sempre tens o vidro da televisão para te protegeres dos perdigotos.

Rosa disse...

permita-me dar-lhe os parabéns pelas imagens que acompanham as suas mensagens, e pelas mensagens que partilha com quem o acompanha. RNC

José Ricardo Costa disse...

Obrigado, Rosa. Gosto muito de partilhar imagens que eu próprio gostei de descobrir.