27 agosto, 2011

ODE AO PÃO

 
         Cézanne | Natureza Morta com Ovos e Pão

Veio há pouco a senhora que todos os sábados traz o pão aqui à porta. Como sempre, com dois belos e enormes pães caseiros acabados de cozer. Como sempre também, vinham ainda a ferver, a fumegar, e com um aroma que faz do pão o mais esplendoroso de todos os perfumes.
A senhora vê o meu entusiasmo perante os pães e, quando com as mãos que os fizeram, os passa para as mãos que os agarrarão para os comer, diz-me, com o mesmo sorriso orgulhoso de Deus quando acabou de criar o mundo: "Que tenha muita saúde para os comer!".
E eu pensei que a verdadeira felicidade não deve ser muito mais do que ter saúde para comer um pão acabado de cozer.

8 comentários:

Isabel disse...

Sim, Zé Ricardo, concordo. Pelo menos, a saúde, no seu conceito abrangente, é a primeira condição para nos sentirmos felizes. O resto vem por acréscimo.
Até por uma questão de solidariedade, é bom que mais amiúde, façamos este tipo de reflexões, mesmo que a propósito de gestos tão simples omo o que descreveste.
Isabel Pires

José Ricardo Costa disse...

Sendo assim, e para mantermos o mesmo registo, um bom fim de semana para ti... com muita saúde para dar e vender :)

josé manuel chorão disse...

Pois sim; mas nem só de pão vive o Filósofo (deve ser por isso que os livros custam os olhos da cara...)

José Ricardo Costa disse...

Já percebi que, se fosses Jesus Cristo, transformarias os pães em livros.

jrd disse...

Dois pães: Se lhes acrescentar dois queijos, temos uma conhecida expressão.

José Ricardo Costa disse...

Infelizmente, o que a vida está muito longe de ser.

Anónimo disse...

Também eu, Zé Ricardo, como desse pão. E fica a alegria do gesto criador da mulher que se extasia perante a sua obra. Assim,certamente, seria a Terra,como um pão saído do forno, depois da criação de Deus.
Concordo que nem só de pão vive o homem mas também de queijo.
Ah! E o vinho, o vinho...
EB

José Ricardo Costa disse...

E o azeite, EB, o azeite das oliveiras.