21 agosto, 2011

BENTO XVI EM MADRID



Fiquei perplexo com a reacção dos jovens católicos de Madrid perante a presença de Bento XVI. Se já entendia antes, agora entendo ainda melhor por que razão os protestantes ingleses do século XVI chamavam papistas e idólatras aos católicos.
Dizia-se que João Paulo II era um fenómeno de popularidade devido à sua personalidade. Ora, nada em Bento XVI levaria a pensar que poderia provocar nas massas as mesmas reacções do seu antecessor. Mas provoca, tal como qualquer outra papa provocaria, e quem diz um papa diz igualmente um bezerro de oiro. A idolatria e o papismo são, na verdade, uma mácula católica, estimulada por uma instituição que sempre se preocupou mais com o reino da terra e o seu próprio poder e veneração do que com o reino dos céus.
Se o cristianismo, tal como Cristo o lançou, foi um projecto falhado, foi também por culpa da Igreja Católica que dele se apropriou e que desde muito cedo o adulterou e para sempre haveria de adulterar. Madrid não serviu para erguer as almas dos jovens católicos para o céu. Serviu para erguer os olhos dos jovens católicos para o trono onde está sentado o imperador católico, apostólico mas, sobretudo, romano.

4 comentários:

josé manuel chorão disse...

Tens razão. É espantoso como gente, supostamente dotada de cérebro, consegue idolatrar um papa cuja característica mais marcante foi ter passado décadas a proteger, abafando e "perdendo" os processos, centenas de padres pedófilos.
O protector dos pedófilos é agora idolatrado pelos jovens acéfalos.
Seria interessante saber o que pensaria Jesus Cristo deste palhaço que se senta, agora, no trono de Pedro.

José Ricardo Costa disse...

Não acho que os jovens sejam acéfalos. A idolatria é um processo natural do ser humano. Demasiado humano, mas humano. Irás lá encontrar jovens inteligentes, cultos, bons e interessantes seres humanos.
Já te acompanho quando falas no que pensaria Jesus Cristo dos seus imperiais sucessores sentados no trono do velho e pobre pescador. Se não tiveres muito que fazer, depois de almoço, senta-te comodamente e relê o capítulo do Grande Inquisidor nos "Irmãos Karamazov".

m.a.g. disse...

Subscrevo na íntegra. Mais, é medonho quando assim se pensa e doutrina:
http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/4508948.html#comentarios

José Ricardo Costa disse...

Já li. Meu Deus!