15 junho, 2011

ESTE PAÍS NÃO É PARA POLÍTICOS

                                                                         Munch|Gólgota

Nas últimas eleições votei no PSD. Devia, pois, à partida, ficar satisfeito com uma notícia como esta. Acontece que não estou. Eu não sou do PSD. Votei no PSD porque já não suportava mais ver e ouvir o engenheiro e toda a ralé nojenta e corrupta que infectou aquele partido cor de rosa, a cor de quem cora de vergonha. Votei no PSD, portanto, porque era a única via possível para que aquela gente fosse finalmente varrida para os seus exílios dourados em grandes empresas, nas instituições nacionais ou internacionais ou nos suporíferas bancadas do parlamento enfeitadas com computadores.
Eu não tenho quaisquer ilusões a respeito da gente do PSD. O PSD já esteve no poder antes do PS e não creio que sejam melhores. E admito perfeitamente que não será preciso muito tempo para me atirarem à cara o grande disparate que foi votar no PSD. Já estou preparado para isso e só terei que lhes dar razão.
É isto que se torna cada vez mais insuportável. Ganhe quem ganhar, a esperança é nula e o drama já se pressente ainda antes de nos ser atirado à cara.
A imagem? Não passa de uma profecia. Não tenho dons sobrenaturais. Mas qualquer pessoa minimamente consciente percebe que não há-de ser preciso muito tempo para vermos o dr. Passos Coelho crucificado perante milhões de portugueses angustiados ou que se limitam a rir da sua desgraça.
Este país não é para políticos. Parece mais feito para técnicos de contas agarrados a máquinas de calcular.

4 comentários:

josé manuel chorão disse...

E estaremos nós, portugueses, condenados a esta alternativa podre? De P"S" para PSD e de volta ao anterior?
Estaremos nós condenados a ver o país que vamos deixar aos nossos filhos transformado numa gigantesca casa de alterne?
(Volta, Otelo, estás perdoado, homem!)

jmv disse...

...técnicos de contas agarrados a magalhães...se me faço entender.
:)

ANA disse...

Concordo plenamente. Sem alternativas verdadeiras não se pode esperar que a abstenção diminua. Ou será que estamos presos à corrente mental do voto útil?

addiragram disse...

Esta dualidade não tem saída. Enquanto apostarmos na "estabilidade" não transformaremos nada.A transformação só se faz através da ruptura e do risco. Podemos é querer continuar a dizer uma coisa e mantermos os pés na outra. A escolha é nossa.