07 maio, 2011

CONSERVADORISMO RADICAL


                                                             Jacques Tati, Playtime (fotograma)

Antes da crise, durante o tempo do crédito fácil, quando o povo andava de Mercedes, BMW e Audi, eu andava de 4L. Durante a crise, sem crédito fácil, deixando o povo de poder andar de Mercedes, BMW e Audi, continuo a andar de 4L. Depois da crise, quando o povo voltar de novo a andar de Mercedes, BMW e Audi, eu continuarei a andar de 4L. Só não se trata de um conservadorismo absoluto porque a ferrugem na chapa nunca é, infelizmente, a mesma e o musgo nos vidros continua sempre a aumentar.

5 comentários:

jrd disse...

Meu caro,
Duas conclusões lineares:
-Já percebi que não é do povo e como não vejo no clero, só pode ser da nobreza.
- A ferrugem e o musgo, são o melhor que há para tornar uma 4L eterna.

José Ricardo Costa disse...

Está redondamente enganado. Pode parecer estranho, mas desejar um Mercedes não é condição necessária para se ser do povo. O povo que sonha com o Mercedes é aquele que Marx, Engels e Lenine queria ver emancipado para concretizar as suas delirantes concepções de natureza humana. Eu cá assumo mesmo que sou do povo e que morrerei sendo do povo. Zé, já eu sou.

jrd disse...

Seja, terei lido mal.
Mas sempre lhe digo que povo a andar de Mercedes, BMW e Audi, só se for o que vai ao eixo S. Domingos de Rana-Cacém, comprar carros em segundo, terceiro e mesmo quarto cu e depois vota Sócrates e Passos Coelho.

E,já que mencionou Marx, talvez seja também este povo:
http://bonstemposhein-jrd.blogspot.com/2011/04/o-cidadao-xxxiii.html

Margarida disse...

Tenho a minha há quase vinte anos. Gosto muito do VWGolf, da carrinha Audi ou da Volvo, de um BMWzito, mas permaneço fiel à minha velhota linda.
e podia trai-la 'na boa'.
Mas como nas relações humanas, assim com as máquinas e coisas inertes. O afecto é basicamente o mesmo (por estranho que possa parecer).
E para quê uma grande 'máquina' se pouco uso e viajo semanalmente com passe?
Ainda hoje andei mais de três horas a pé em estrada, fazendo compras aqui e ali fora dos centros, descontraindo e passeando, ginasticando e meditando.
É claro que acertando nos milhões peço o Maybach e um chauffer..., mas a 4L fica comigo. Sempre.

José Ricardo Costa disse...

Ah, Margarida, nada tenho contra os carros. E nada tenho contra os ricos. E nem concordo com a ideia de que um rico tem que ser sustentado por n pobres. Estou apenas a falar de mim, um desabafo meramente pessoal, reflectindo meu pessoal conservadorismo.