25 março, 2011

PRELÚDIO EM C MENOR

                                                                  Velasquez| Cristo Crucificado

Escrevi hoje a palavra cristo (assim, com minúscula) e o corrector automático corrigiu logo para Cristo.  Vivemos tempos esquisitos. Um corrector cego e estúpido mostra mais devoção pela figura central do Ocidente do que aqueles que são baptizados em seu nome ou que a ele (ou será Ele?) devem parte da sua identidade. Não tem que ser necessariamente mau nem tem que ser necessariamente bom. Será apenas diferente.

4 comentários:

josé manuel chorão disse...

Vamos lá ver: mas a devoção a um ser "superior", um deus qualquer, não é sempre algo inconsciente e automático?
Claro que muitos ficarão chocados com este meu ponto de vista e gritarão que não, que é uma devoção iluminada, voluntária e consciente.
Podem estrebuchar, gritar o que quiserem, que não me convencem: quando se coloca acima da vida concreta e real um ser meramente imaginário e por ele se cometem barbaridades...não se está pensar, está apenas a responder-se, de modo inconsciente, ao medo primordial que nos atormenta a existência desde sempre.
Ainda bem que o teu corrector é mais devoto que tu próprio; é que ele é inconsciente...

paulo,sj disse...

Caro JRC,

Obrigado pelo breve e profundo texto... que leva à descoberta de mais um paradoxo curioso.

Como crente, que tenta dialogar com o seu entorno, deparo-me diariamente com o mistério desta Pessoa que, em silêncio, não deixa de marcar a sua presença... independentemente da crença que cada pessoa possa ter.

Agora mergulhado nos estudos da teologia fico ainda mais fascinado com Cristo, sobretudo com as suas formas paradoxal, revolucionária, perspicaz, verdadeira. E o modo como agitou as águas, que se viu sobretudo nos primeiros séculos, com todas as perseguições que os primeiros seguidores tiveram, não pode deixar de suscitar interesse e desejos de profundidade... De facto, foi e é diferente... (Mas não indiferente em relação ao que o circundou!)

Um Abraço!

P.S. - Sugestão de leitura: "Cristo Filósofo" de Frédéric Lenoir

ANA disse...

o coretor é tão devoto quanto a alma que o criou ou então é apenas religiosamente correto. A fé ultrapassa as convenções e nada disso é relevante

Sedentário disse...

Não vejo diferença entre o corrector e os ocidentais com relação a devoçãoe hipocrisia com relação ao cristo.