19 março, 2011

HOPLITAS



Em Esparta havia os hipeis, aristocratas que combatiam a cavalo. Em combate distinguiam-se através de proezas individuais, inspirando-se numa ética do herói e de uma valorização da coragem pessoal. Ora, os hipeis, a pouco e pouco foram sendo substituídos pelos hoplitas, grupos de soldados de infantaria, levando assim a uma valorização do colectivo e a uma defesa da modéstia e da austeridade.
Como afirma Sophie Guérard de Latour em A Sociedade Justa-Igualdade e Diferença, "Ao nível político, essa forma de igualdade parecia, com efeito, levar necessariamente ao igualitarismo, isto é, à imposição autoritária de uma norma colectiva e à uniformização do corpo cívico, por mais limitado que ele fosse".

A história mais uma vez parece repetir-se e, como é costume, desta vez como comédia. A Europa de hoje está nas mãos dos hoplitas. Portugal está nas mãos dos hoplitas. Políticos que se assemelham cada vez mais entre si na mediocridade. Estar em cima de um cavalo permite ver mais longe. A infantaria, neste caso, mostra que estar com os pés assentes no chão nem sempre será uma vantagem.
O engenheiro Sócrates e o doutor Passos Coelho não passam de dois hoplitas que não fazem a menor ideia de como se monta a cavalo.

3 comentários:

josé manuel chorão disse...

Parece-me que esta gente não se deve classificar como "políticos". Porque políticos são cidadãos, bem intencionados, honestos e decentes, com qualidades de liderança e outras competências, que se dispõem a servir a população governando.
Ora nada disto é aqui aplicável.
Esta gente a que te referes não passa de um bando de inúteis, desonestos, corruptos que, estando no poder, manipulam as leis em benefício próprio (de modo a não poderem ser incriminados quando saírem do poder), distribuem favores por bancos e outras empresas que lhes assegurem, como paga, um retiro dourado quando forem substituídos no poder e que aproveitam o tempo em que desgovernam para poder beneficiar em tudo o que puderem.
A Mafia, assumindo a responsabilidade daquilo que é, dedica-se a actividades criminosas; às vezes até são presos. Mas há gente mais esperta que a Mafia e, em vez de uma organização criminosa, organizam-se em partido político.
Assim se rouba um povo impunemente...até que o povo já não tenha o que comer e o que vestir.

jrd disse...

O Passos não passa de um cavaleiro inepto, que só pode ser desprezado por um cavalo que se preze, mesmo que seja o cavalo imaginário do poema de Prévert, que vive em união de facto com a mula da cooperativa (ambos fugidos ao General Jardim), a tal que estaria destinada ao Sócrates, se por acaso houvesse combate.

http://bonstemposhein-jrd.blogspot.com/2008/04/do-cavalo-imaginrio-de-prvert-barra.html

Alice N. disse...

Os políticos são os hoplitas e nós o chão que eles pisam. Quando conseguiremos levantar-nos? Não vale a pena esperar milagres. Por enquanto, fico pela literatura...