10 fevereiro, 2011

ON LIBERTY



O pai de John Stuart Mill, discípulo de Bentham (sim, o do panóptico) queria que o seu filho tivesse uma educação absolutamente racional e científica, ficando assim protegido da ignorância e da fraqueza. Queria, em suma, um filho perfeito. Foi, por isso, separado das outras crianças, tendo apenas como companheiros os seus irmãos. Nada de religião, nada de metafísica, poesia, muito pouca. Em vez disso, doses maciças de ciências naturais e de literatura clássica.
Resultado: aos 5 anos sabia grego. Aos 9 anos sabia álgebra e latim. Aos 12 anos possuía os conhecimentos de um excepcionalmente erudito homem de 30 anos.
O pai sentia-se orgulhoso pela criação de um ser humano absolutamente racional, fleumático e com uma erudição impressionante. Entretanto, o jovem John começa a padecer de grandes crises. Sentia-se desesperado. Não encontrava um sentido para a sua existência. Desejava morrer.
O texto mais importante de John Stuart Mill dá pelo nome de "On Liberty". Compreende-se. Anos antes, a sua vida foi salva pela leitura da poesia de Coleridge e de Wordsworth.
Há dias, tive uma mãe a chorar perante mim porque o filho, no 7ºano, estava a baixar as notas a Matemática. Eu perguntei se baixar as notas a Matemática é motivo para chorar. Ela disse que sim porque até agora tinha tido um filho perfeito e sentia que isso estava em risco.
Depois, fui eu quem ficou com vontade de chorar.

4 comentários:

ANA disse...

Tambem fiquei com vontade de chorar...São as minhas imperfeições e as imperfeições dos meus filhos que dão emoção aos nossos dias e é por isso que nos ferve o sangue quando nos zangamos e nos adoça a alma quando nos abraçamos e dizemos o quanto nos amamos... Acho que se eu ou os meus filhos fossemos perfeitos (exintindo a hipotese de existirem seres Humanos perfeitos)a nossa vida seria bem monótona e aborrecida. Eu gosto da imperfeição, gosto dos ajustes, claro que não gosto de me zangar mas a adrenalina faz-me sentir viva e a acima de tudo adoro fazer as pazes .

jrd disse...

Também acho um exagero, quando os malefícios da Matemática produzem efeitos semelhantes aos da cebola...

Deixei-lhe uma réplica no bth.

bfs

Anónimo disse...

Mas o pobre Stuart Mill, em jovem, só estudava? Nunca o levou, o pai, a um jogo do Benfica? Não admira que se sentisse desesperado e não encontrasse sentido para a vida. Que raio de pai...
josé manuel chorão

Alice N. disse...

Pode ser que a poesia salve essa mãe (e o filho, coitado). Misteriosamente (digo eu), também há quem veja poesia na Matemática, no desporto... Haverá poesia onde estiver a emoção, certamente. O que importa é deixarem-nos descobrir o caminho.

Pode ser muito gratificante tentar desafiar os nossos limites, perseguir um sonho de "perfeição" (ou antes: procurar ser melhor), desde que se aceite que a perfeição da vida está mesmo na sua imperfeição. Uma lição vida e de humildade que vale a pena aprender.