08 fevereiro, 2011

AUTENTICIDADE ROMÂNTICA


Wordsworth, Coleridge, Schiller, Göethe foram homens que, durante os seus anos de juventude, celebraram a liberdade, a espontaneidade, a rebeldia, o sofrimento, contra uma ordem burguesa e institucional dominada por valores hipócritas e uma racionalidade utilitária. Mais importante do que o prazer, era a liberdade e a possibilidade de seremos nós próprios nem que fossse à custa de sacrifícios e sofrimentos.
Por causa destes homens e em nome desses ideais, inúmeros jovens se suicidaram por essa Europa fora. Só à conta de Os Sofrimentos do Jovem Werther foram milhares, numa espécie de loucura colectiva que atacou os jovens europeus.
Mais tarde, aqueles homens acabaram por fazer as pazes com a ordem estabelecida, tornando-se mesmo figuras representativas das respectivas pátrias e orgulhos nacionais. Bons burgueses, enfim. Entretanto, os jovens que se suicidaram encontraram a verdadeira autenticidade que procuravam. Morreram, quando, pelo contrário, deviam estar a rir. Se procuravam a autenticidade deveriam procurá-la no riso, porque rir é o que há de mais autêntico na vida, uma vida em que quase tudo é risível.

6 comentários:

Ana Paula Sena disse...

Sem dúvida! ... não quiseram fazer jus à expressão "quem ri por último, ri melhor" :)

Anónimo disse...

Tenho um tique nervoso: em situações de stress dá-me para rir. Causa-me bastantes constrangimentos... enfim.

Helena

Kamaroonis disse...

Depois de ler isto, só me lembrei da expressão "morrer a rir"...

E depois, pensando bem, o facto de quase tudo ser risível é algo... um pouco deprimente!

Chiça! (e uma boa gargalhada)

Um abraço bem disposto.

José Alberto

jrd disse...

O meu registo é distinto.
O riso é um sinal da esperança e a esperança é uma semente do poder -que há-de vir.

Ega disse...

A propósito deste postal, e nem sei bem porquê (mas os poetas alemães ajudaram com certeza), lembrei-me daquela coisa genial dos Monty Python sobre a melhor a piada de sempre. Conhece?
Deixei-o lá, na minha espelunca.

José Ricardo Costa disse...

Ega, depois passo por lá.