11 janeiro, 2011

S


                                                                 Eduardo Gageiro

Olhar para o horizonte significa muitas vezes olhar para o vazio. Quase todos os grandes ditadores foram assim. Grandes ideais mas ideiais vazios, ideais que esvaziaram os seus países e povos.
Olhamos aqui para Salazar e vêmo-lo a ver os mais vastos e desemesurados horizontes. Mas, no fundo, o que mostra o horizonte? O horizonte nada mostra. Salazar quis um país real à medida dos seus horizontes e acabou por deixar um país miserável, atrasado e mergulhado na pobreza do povo que lava no rio.
Mas as democracias podem também produzir homens assim. O engenheiro Sócrates, o medíocre, oportunista, espertalhão engenheiro Sócrates, está a precisar igualmente do seu grande fotógrafo. Basta trocar o mar para onde olha Salazar, o mar de um Portugal que vai do Minho a Timor, aberto pelos vários Magalhães do nosso orgulho pátrio, pelo colorido monitor de um Magalhães.

4 comentários:

jrd disse...

Costumo dizer que o horizonte está onde estão os nossos olhos, mas jamais partilharia horizontes com esse déspota.
Não me parece que Sócrates seja a figura política portuguesa da actualidade, com maiores semelhanças com o ditador.

A foto é interessante, apenas se nota a falta da cadeira…

José Manuel Vilhena disse...

...é pá, coiso por coiso apesar de tudo o mar tem cheiro,pode-se fechar os olhos...com os sócrates,perdão,com os magalhães não...
:)

José Borges disse...

Exacto. Não é uma questão de regime. Agora temos o ananás.

JCM disse...

Olhei a fotografia e pensei que era uma capa de um cd da ECM.

Falando mais seriamente. A foto mostra essencialmente a solidão de Salazar. E a desmesura do horizonte mostra a desmesura dessa solidão.

O horizonte de Salazar nunca foi a vastidão, mas a pequenez do galinheiro que tinha em S. Bento.

Era grande, mesmo tragicamente grandioso, na sua visão pequena. Um pouco como o Dr. Cunhal, outra grande figura de horizonte limitado.

De todos os políticos portugueses que vi actuar, o único com horizontes verdadeiramente vastos foi Mários Soares. Talvez Sá Carneiro também os tivesse, mas morreu antes de o mostrar.

Agora esta gente que nos rege, de Sócrates a Cavaco, é tudo gente sem grandeza de alma nem vastidão de horizontes. Nem um médio fotógrafo merece, quanto mais um grande como o Gageiro.