12 janeiro, 2011

JOHN CALE EM TORRES NOVAS


Eu ainda sou do tempo em que os grandes acontecimentos musicais aqui da terra eram os bailes de finalistas. Momento épico aquele do José Cid a cantar o Shine on you Crazy Diamond ou da Lena d'Água a cantar numa banda chamada Beatnicks, na antiga fábrica do António Alves, ali na Várzea dos Mesiões.
Aliás, eu ainda sou do tempo em que terem vindo os Genesis a Portugal foi quase tão importante como ter aterrado uma nave espacial no Parque Eduardo VII. Nada acontecia em Portugal, não vinha cá ninguém. Ainda me lembro do entusiasmo que foi ver os Dexys Midnight Runners numa Festa do Avante pois praticamente nada havia para além dos concertos do Rock Rendez Vous. Ou de ter visto o Leo Ferré no Coliseu. Quando fiz a faculdade em Lisboa, nos anos 80, praticamente só vinham brasileiros. A Maria Bethânia hoje, o Caetano Veloso dois meses depois, o Alceu Valença a seguir.
Ora bem, regressemos a Torres Novas. Em pouco tempo, nesta terra de antigos bailes de finalistas e onde de vez em quando aparecia uma revista do Parque Mayer em digressão pela obscura província, já cá vieram, em pouco tempo: Stephen Micus, Wim Mertens, Milton Nascimento, Suzanne Vega, Marc Copland, entre outros. Agora virá John Cale. Fala-se em Uri Caine (que já vi há meia dúzia de anos em Leiria com Dave Douglas).
Também já vi Jordi Savall e o Hilliard Ensemble em Alcobaça. Já foi possível ver o ano passado Meredith Monk em Viseu (há 13 anos fui daqui de propósito à Gulbenkian para ver o seu Ensemble) ou os Tindersticks nas Caldas da Rainha.
Em Abril é o pessoal da Guarda que irá ver a Diamanda Galás. Cá para mim, ainda hei-de ver o John Zorn a tocar em Moimenta da Beira, o Nick Cave na Covilhã especialmente para a minha amiga Ana e o John Surman no Alandroal.
Ora bem, eu gosto que assim seja. Eu gosto de viver na província, até porque sou profundamente provinciano. E gosto de sair de casa e descer a ladeira para ir ali ver o John Cale a cantar, bastando para isso, desembolsar 10 euros.
Mas o que isto merecia mesmo era os Supertramp, no Terreiro do Paço, a tocarem Crisis? What Crisis?

8 comentários:

jrd disse...

Que défice o meu, que nasci e vivo em Lisboa (quer dizer…) e falhei tanta dessa gente boa. Enfim, também vi e ouvi muitos e bons, cá e (n)outras bandas…

Respeito o seu apego telúrico, mas discordo ‘dessa’ do ‘provinciano’, porque entendo que não é ‘provinciano’ quem nasce ou vive afastado da grande metrópole, mas sim quem se auto condiciona intelectualmente por esse distanciamento.
Não consigo imaginar que a minha cidade é provinciana, quando comparada, por exemplo, a Copenhaga, Oslo ou Estocolmo, para não ir mais “acima” (só aqui para nós -guarde segredo- é mesmo, apesar de já ter sido muito pior…).
Aliás, o que por aqui há mais, são ‘provincianos’ importados, daqueles que, mal lhes estala o verniz, mostram o verdadeiro labrosta que têm dentro deles.
Gosto muito da ‘província’, onde vou amiúde, não obstante ser um “urbanita” compulsivo.
Um destes dias vou debruçar-me sobre o tema no bth, se bem que numa perspectiva diferente.

Clau disse...

Cá o aguardo, JR... Se precisar de reservar o seu bilhete, faça o favor de dispor.

josé manuel chorão disse...

Os Supertramp estavam agendados para a Venda das Raparigas ou Freixo de Espada à Cinta, não sei bem; mas o Alzheimer não permitiu, esqueceram-se da data. São rapazes do tempo do Manoel de Oliveira, o que é que esperas?

Agora a sério, ainda hás-de ver os Rolling Stones em Aldeia de Ruins (Beja). Ah pois. E vivam os provincianos, digo eu, cá da minha aldeia.

Ega disse...

O homem tem vem cá a Leiria, e quando soube caíram-me os queixos.

Rita TSBGC disse...

Está ser injusto com os anos 80 em Lisboa.
Nos anos 80, vi o Nick Cave no pavilhão Carlos Lopes, Sugarcubes no Coliseu, os Younggods no cinema Alvalade,já nos 90 vi a Laurie Aanderson no mesmo Coliseu ( e o Lou Reed a assistir), bom, não vou elencar tudo o que ouvi em Lisboa entre 80 e 90's , mas não se limitou a Brasileiros...
( Já sobre o Cale, digo que é uma sorte danada ter uma das minhas paixões no fundo da rua, e a 10 € )
Espero ouvir o Dying on the vine!!!

Anónimo disse...

Boa tarde. Desculpe o atrevimento. Mas o Léo Ferré não foi na Aula Magna, nesses anos oitenta e até faltou o som e ele continuou e continuou???
É só p ver se a minha memória me atraiçoa- Leio os seus post c mt agrado. Atentamente,
E.

José Ricardo Costa disse...

jrd, se gosta de vaguear pela província está formalmente convidado para um café em TN.
Cláudia, no sábado conversamos.
JMC, a tua província é do melhor, não se perdia nada era se tivesse um cinemazito para o pessoal ver uns filmes de vez em quando.
Ega, Leiria? Hum, olhe que não se pode queixar muito, vá lá, vá lá.
Rita, anos 80? Bem, está a pensar mais em 1981 ou em 1989? Aqui farei um mea culpa. Se foi em 1981, talvez na altura eu não soubesse quem era o Nick Cave ou os Sugarcubes. Lembro-me dos Young Gods (tenho o cd com as versões do Kurt Weil) no cinema Alvalade mas desconfio que já foi mais 90 do que 80. Não?
E., Leo Ferré foi de certeza no Coliseu. E nesse não falou o som. Il a eté extra!

manufactura disse...

...a parte que me diz respeito seria uma maravilha... nick cave na Covilhã, a cantar só para mim...