01 novembro, 2010

NO TEMPO EM QUE FESTEJAVAM O DIA DOS MEUS ANOS

Abadia, Gaspar-David Friedrich

Quando eu cheguei a Coimbra em 78, fui, na noite da tarde em que cheguei , arrastada para uma festa de aniversário. Para a caloirinha de 18 anos que eu era, aquela chegada a Coimbra a desembocar numa animada festa onde um finalista de Direito, com Reais por fazer (um clássico, portanto!), de pé em cima de uma mesa, recitava o "Aniversário" de Álvaro de Campos, pareceu-me a chegada ao Novo Mundo. E, de algum modo, durante muito tempo consegui pensar que o mundo eram finalistas de Direito que recitavam poesia de pé em cima de uma mesa, ciclos de cinema francês no Gil Vicente e infindáveis traduções de grego e de latim.
Com os anos, vi que não era nada disso.
E sempre que fui celebrando os meus anos, já não era dessa outra festa que me lembrava, nem de Álvaro Campos, mas do episódio final d' Os Maias, quando Ega diz a Carlos: "Falhámos a vida, menino!"


Hoje não é excepção.

8 comentários:

jrd disse...

Se o dia é de anos, parabéns!
Ao cabo e ao resto, passar ao lado da vida não é mais do que uma viagem repetida...

josé manuel chorão disse...

Mas só falha a vida quem morreu.
Enquanto cá andarmos, à superfície da terra, vamos errando umas vezes e acertando outras; vamos, sobretudo, aprendendo, que é do que a vida se faz.
E quem escreve tão bem como a Ivone, não falhou, certamente, a vida.
Parabéns.

Rita TSBGC disse...

Primeiro : Parabéns !
Segundo : Fazer anos é recuperar consciência da estrada, nunca se falha, a não ser que o conta Kilómetros marque Zero, o que no seu caso e perdoe-me se lhe pareço intrometida, como dizia, no seu caso, o conta kilómetros Nunca marcaria Zero, a sua tinta é sempre negra no papel branco, as suas palavras são sempre as únicas possíveis.
Aceite os meus Parabéns!!!

José Borges disse...

Muitos parabéns Ivone.
Para mim a faculdade nunca foi nada disso. Até aqui a invejo e a ter falhado falhou melhor do que eu.

Um beijo de felicidades*

Ivone Costa disse...

Obrigada pela vossa gentileza.

José Cipriano Catarino disse...

Parabéns. E não penses muito no falhanço: Carlos da Maia esclarece que todos falhamos, de uma forma e de outra. Lembra-te de que pensar incomoda como andar à chuva. "Circunda-te de rosas, ama, bebe E cala."

marteodora disse...

Ivone, pode parecer clichet, mas só mesmo aos 18 acreditamos que podemos viver a vida que desejaríamos viver.
O que conta, na realidade, é que estejamos felizes a cada aniversário, independentemente da vida que estamos a viver em cada celebração.
Parabéns, saúde e optimismo (pelo menos algum).

Alice N. disse...

Muitos parabéns, Ivone.
Um abraço,
Alice