22 outubro, 2010

ZU FRÜH

                                           Nietzsche e Paul Rée, chicoteados por Lou Andreas Salome

Há mulheres que, por mais que se procure, não têm interior e são, pura e simplesmente, máscaras. É de lamentar o homem que se abandone a esses seres quase fantasmagóricos, necessariamente incapazes de corresponder à expectativa; mas são precisamente estas que mais fortemente conseguem despertar o desejo do homem: ele procura-lhes a alma e, porque não a encontra, continuará sempre a procurá-la. Nietzsche, Humano, Demasiado Humano, §405

Nietzsche foi, como se sabe, um grande psicólogo. Bem, para evitar equívocos devido à actual ideia do psicólogo enquanto técnico de saúde mental, digamos que foi um grande anatomista da alma humana. Mas foi um homem do século XIX e esta passagem revela isso: uma ingenuidade tipicamente romântica.
Hoje, já não falaria assim. O homem do século XX é bem mais pragmático e impaciente no que diz respeito aos problemas da alma. Se não a encontra à primeira, dificilmente irá esperar pela segunda oportunidade. Nietzsche, pelo contrário, confiou sempre demasiado no seu instinto. Talvez por isso nunca tenha tido sorte com as mulheres. Viveu demasiado cedo para isso.

5 comentários:

josé manuel chorão disse...

Sejamos sinceros: não é bem a alma feminina que os homens procuram numa mulher.
Para partilhar pensamentos, preocupações, sonhos ou receios, os homens procuram, normalmente, amigos do mesmo sexo. Compreendem-nos melhor.
Com as mulheres bonitas torna-se mais difícil a partilha espiritual, já que normalmente se sobrepõem outras distracções mais terrenas...(já com as feias, acredito que é possível, pelo menos até certo ponto).

m.a.g. disse...

Por norma os filósofos são gente complicadíssima. Vem isto também a propósito do post mais abaixo (da avaliação que Nietzsche faz das mulheres - sem desvalorizar alguns pontos com os quais concordo: as mulheres quando querem, podem mesmo ser perversas e manipuladoras). Contudo, tenho a impressão que os os génios têm tanto de inteligentes como de infelizes. O Kierkegaard era outro que tal.
Em relação às mulheres, é melhor agir mais e pensar menos. Não que o pensamento não tenha um lugar importante no nosso mundo sentimental e erótico, mas é melhor colocá-lo em seu devido lugar - subalterno, acessório, complementar. Quando instintos e sentimentos ficam à mercê de raciocínios complicados, extrapolações intelectuais, uma coisa é certa: mais cedo ou mais tarde, ficarão (os homens claro está) com a triste consciência das tontices cometidas.

jrd disse...

Só um misógino aceitaria participar num "ménage à trois" em formato "dois/uma".
Um Hetero normal optaria sempre pelo formado "um/duas"...

Cláudio disse...

Depois de Mary Wollstonecraf, Simone de Beveauvoir, Germaine Greer e Alice Schwarzer o Sr. anda escrevendo essas coisas! Cuidado, alguma garota exagerada pode lhe considerar um "alvo legítimo".

José Ricardo Costa disse...

Cláudio, obrigado pelo aviso! Mas olhe que este texto do N. não é sobre as mulheres mas sobre algumas mulheres. Se há coisa que prezo na vida é precisamente respeitar as mulheres. Infelizmente, nem sempre é recíproco.

JR