26 outubro, 2010

ROMANCE EPISTOLAR

3

Penso, às vezes,
que o entendimento
que tens do meu desejo
é a pressa cega, impaciente,
de quem não mede
as emboscadas várias
desta travessia.
Cada dia
é mais um porto que não alcanço.
Os meus gestos
são a teia
que desfazes na tua noite
hesitante.
Hei-de ficar
oculto, esquecido,
na ilha invisível
a que só aportam
fantasmas resignados.

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