19 outubro, 2010

O RECTÂNGULO SEM ÂNGULOS


                                                                       Yves Klein                    

Um rectângulo tem comprimento e largura. Vê-se claramente, basta olhar. Mas, na área do rectângulo, que partes correspondem ao comprimento e à largura? Não é possível distinguir pois não há comprimento nem largura. Olhando para a sua área ninguém vê comprimento ou largura. É um todo uniforme, uma unidade, uma mancha homogénea. Não um todo construído a partir da soma das partes, o comprimento e a largura, mas um todo sem partes ou se, quisermos, partes que se diluem no todo, tornando-se, desse modo, indissociáveis.
Se as histórias de amor pudessem ser entendidas geometricamente, tomando o rectângulo como ponto de partida, seria assim: umas, as perfeitas, seriam explicadas pela área do rectângulo. Outras, poderiam ser explicadas pelo perímetro do rectángulo, tendo duas partes: o comprimento e a largura. Outras ainda, para além, do perímetro, seriam ainda marcadas pela forte presença dos seus ângulos.
Em termos platónicos, quanto mais perto da unidade, mais perfeito, quanto mais longe da unidade, mais imperfeito. E um ângulo, mesmo sendo recto, nunca deixa de ser um ângulo.

3 comentários:

Margarida Fernandes disse...

Seria mais fácil entender as histórias de amor mas não teriam tanta piada :)

Deixo-lhe aqui uma frase que li hoje e lembrei-me logo deste blog amigo que tanto estimo e aprecio:

"Na vida, nem tudo é completamente errado, até um relógio parado, marca a hora certa duas vezes ao dia". (desconheço o autor)

Beijinho

jrd disse...

Com este fiquei "redondo", quer dizer, em circulo...

m.a.g. disse...

Tenho para mim que geometria e amor não combinam nada bem e quanto mais se reduzir essa área de abrangência mais se reduz o perímetro dos riscos.