30 outubro, 2010

A CARNE E A PALHA

                                                                Garry Winogrand

Há um conto de Tolstoi (Hadji Murat), onde surge o seguinte ditado: "Um cão pediu a um burro para comer com ele, e ofereceu-lhe carne. O burro, depois, convidou o cão, oferecendo-lhe palha. Ambos ficaram com fome".
Isto é lembrado por Kwame Appiah (Cosmopolitismo) a propósito do problema do relativismo e do que separa diferentes culturas.
Certo. Mas também pode servir para explicar o fim de muitos casamentos.

4 comentários:

Rita TSBGC disse...

Esta frase apenas demosntra que a falta de educação dos anfitriões é geradora de grandes males...
Se o Cão tivesse tido a gentileza de servir palha e carne ao burro e se o burro tivesse feito o mesmo, então ambos se sentiriam satifeitos e saciados.
A questão fulcral ( e claramente menosprezada) do encontro de culturas é a multiplicação de identidades e não a anulação de das características identitárias.
( já agora creio que o mesmo se pode aplicar aos casamentos)

josé manuel chorão disse...

Certo. Mas o que é palha para uns, é um delicioso manjar para outros; além de que a palha é muito mais saudável que a carne.
Mas o que dificulta as relações humanas acaba por ser, na minha opinião, a inconstância dos humores; ou seja, nem sempre nos apetece carne e nem sempre nos apetece palha.
O que acaba com os casamentos não é a palha ou a carne que o(a) outro(a) nos oferece; é o que vai na cabeça de cada um...

m.a.g. disse...

Nem é da "carne" nem é da "palha".
É tudo uma questão de tempero e de tentar diversificar um ou outro ingrediente ou o acompanhamento, i.e., podemos comer todos os dias sopa: mude-se a base e os legumes sempre que quisermos. Poderemos não resolver tudo, mas já é um bom contributo.

Já agora, "não há fome que não dê em fartura".

José Cipriano Catarino disse...

Grande romance, infelizmente actual, com o Cáucaso a ferro e fogo e sangue. Como em Hadji-Murat.