17 setembro, 2010

NACIONALIZAÇÕES

                                                                       Francis Bacon

No 1984, o rosto do Grande Irmão está em toda a parte: teletelas, moedas, selos, capas de livros, faixas, cartazes, maços de tabaco. Sempre os olhos do Grande Irmão a envolver as pessoas. E diz o escritor: "Nada pertencia ao indivíduo, com excepção de alguns centímetros cúbicos dentro do crânio".
Não concordo. Esses centímetros cúbicos são sempre a primeira coisa a ser nacionalizada na vida de uma pessoa. Seja numa ditadura, seja numa democracia.

6 comentários:

m.a.g. disse...

Pois eu concordo com o escritor. Seja em ditadura ou democracia, levem-me tudo, mas a "cabeça" nunca permitirei que a façam, para isso teriam que a arrancar e mesmo assim...

Rita TSBGC disse...

Se esses centímetros cúbicos forem preenchidos por vazios serão, decerto, anexados com facilidade acrescida, caso contrário serão alvo de uma acção de despejo e só posteriormente de uma nacionalização, ah resta salvaguardar que os C3 poderão ser nacionalizados sem qualquer pré-aviso e sem direito a indemnização, se se revelarem de importância estratégica e vital para o país.

josé manuel chorão disse...

Pois eu concordo contigo; da esquerda à direita, o objectivo dos políticos é pensar pelas pessoas, estupidificar as gentes, homogenizar as consciências, reduzir o cidadão a um autómato votante e contribuinte acéfalo.
Tristes trópicos estes, em que (sobre)vivemos...

jrd disse...

Privatize-se o cérebro, já!...

José Borges disse...

Então afinal acha que há machado que corta a raíz ao pensamento? Orwell tem razão em acreditar que pode haver um regime assim totalitarista?

José Ricardo Costa disse...

José, o pensamento é das coisas cujas raizes se cortam mais facilmente. Eu entendo a frase do Orwell e o que pretende dizer a m.a.g. A questão é que a liberdade de pensamento só será válida se a pessoa for capaz de ser livre. E, quase sempre, desde muito cedo, desaprendemos essa capacidade, ficando apenas com as ferramentas e as peças que nos puseram nas mãos e sem sermos capazes de pensar noutras e desejá-las.
Quanto à segunda pergunta, deixe-me revelar-lhe a minha perplexidade, mas perplexidade mesmo, perante certas coisas do 1984 e que podem ser encontradas não em regimes totalitários mas nas nossas democracias. Não só num contexto mais estritamente político mas extensivas a sectores específicos da vida social. Por exemplo, a escola pós- Maria de Lurdes Rodrigues.