14 setembro, 2010

MINISTÉRIO DO AMOR


No 1984, de George Orwell, existem quatro ministérios. Um deles é o Ministério do Amor, cujo objectivo é manter a lei e a ordem. O próprio edifício do Ministério do Amor mete medo. E não tem janela alguma. Numa sociedade claustrofóbica cujos principais lemas são "GUERRA É PAZ", "LIBERDADE É ESCRAVIDÃO" E "IGNORÂNCIA É FORÇA", o Ministério do Amor cumpre, pois, na perfeição, o seu grande objectivo: manter a lei e a ordem.
Jesus Cristo foi por morto por acreditar que o amor não é feito de lei e de ordem. Muito provavelmente, no mundo ocidental, sejamos cristãos ou ateus, a salvação estará mesmo no cristianismo. É no cristianismo que o amor é mesmo o amor e não uma simples institucionalização do vazio.

8 comentários:

Hanna disse...

Gostei muito. E concordo com a opinião.
Parabéns pelo interessante blog.
Bjs.
Hanna

jrd disse...

Na minha opinião, mesmo sem o Big Brother, o amor anda tão por baixo, que não vai além duma secretaria de estado...

José Ricardo Costa disse...

Hanna, muito obrigado!

Bem, no Big Brother, o pontapé do Marco na Marta sempre é um sinal vital.

josé manuel chorão disse...

"É no cristianismo que o amor é mesmo o amor"
- O que é que queres dizer com isto?
Pretendes reduzir o amor ao cristianismo?
Pretendes excluir da amorosidade todos os não-cristãos?
Admites considerar todos os crentes em todas as outras religiões (e os ateus, agnósticos, etc.), como excluídos da possibilidade de viver o verdadeiro amor, a não ser que se reduzam à cristandade?
Que visão digna da mais empedernida Inquisição.
Mas espero ter-me enganado e ter-te interpretado mal. Sinceramente.
Um abraço

José Ricardo Costa disse...

Zé, falo do cristianismo no sentido de uma visão revolucionária oposta ao judaísmo. Não do cristianismo enquanto instituição (católica, protestante ou ortodoxa) que substituiu uma outra mas enquanto espontaneidade e autenticidade em oposição ao carácter vazio e perfunctório da lei. Por exemplo, curar ao sábado. Neste sentido, é perfeitamente possível ser cristão sem ser institucionalmente cristão. O amor está longe de ser cristão mas o cristianismo é amor. Falo, obviamente, da nossa tradição ocidental, sabendo, porém, que o mundo não se esgota, longe disso, na tradição ocidental. Mas é a minha e é dentro dela que estão as minhas referências e que gosto de pensar.

josé manuel chorão disse...

Pelos vistos, tinha interpretado mal as tuas palavras; de facto, não há nada como perguntar para obter as respostas que se procuram.
E, depois de correctamente interpretadas, concordo com as tuas afirmações, quer as do post quer as da resposta aqui acima. Tens razão, o amor é sempre uma revolução, uma contestação à ordem pré-estabelecida; nesse sentido, claro que o cristianismo começa por ser uma afirmação de amor; o pior foi o que veio nos séculos seguintes...a confirmar que todo o revolucionário se torna conservador (ou ditador) quando alcança o poder;o cristianismo está a precisar de uma nova revolução.
Obrigado pela resposta.

Anónimo disse...

A capa que serviu de ilustração é assombrosa. Repare o decote abissal da bela. Também tem um cara com um chicote na mão, que não faria feio em Los Angeles. Caramba! Pelo visto, a turma compensava a falta de atividade política com intensa atividade sexual. A troca é justa?

José Ricardo Costa disse...

Acontece que é precisamente o contrário. Existe uma forte ausência de actividade sexual a fim de canalizar todas as energias para a realidade política (Grande Irmão e o Partido)