18 setembro, 2010

BENTO MAS POUCO

                                                                      Francis Bacon

Sou ateu da cabeça aos pés. Nasci ateu e muito provavelmente morrerei ateu. Não sou baptizado, não baptizei os meus filhos (se quiserem poderão fazê-lo), nunca casei pela igreja nem estou a pensar algum dia fazê-lo. Não sei rezar nem estou interessado em aprender a fazê-lo.
Daí ficar indignado sempre que um papa, um bispo ou um simples padre vem falar dos perigos do ateísmo e do secularismo, como aconteceu agora de novo com a visita de Bento XVI a Inglaterra, tal como se pode constatar aqui.
Vamos lá ver o seguinte. Eu entendo que um católico pense que se é mais feliz e melhor pessoa sendo católico do que não o sendo. Creio que está errado mas tem o direito de o pensar. Eu também posso pensar que é preferível ouvir uma sonata de Beethoven do que um qualquer disparate do Quim Barreiros, ou que num domingo à tarde será preferível ir passear ao Convento de Cristo do que ficar sentado no sofá a ver um daqueles filmes senis da TVI. Isso, porém, não me dá o direito de insultar essas pessoas. Ou de exibir a minha superioridade perante elas. Ou de considerar o meu modelo de vida como "o" modelo de vida.
Se for um católico comum a achincalhar-me por ser ateu, consigo entender. Há pessoas com melhor e pior feitio. Tolerantes e intolerantes. Inteligentes e estúpidas. No caso de um papa, porém, a responsabilidade será maior.
Eu gostaria que Bento XVI me explicasse o que perco eu por ser ateu e as pessoas que vivem em meu redor. E por que razão ser ateu faz de mim um ser humano pior, assim como o meu contributo para ter tornado o mundo pior.
E, sabendo ele História, que me explicasse o que piorou no século XX em relação a épocas anteriores por causa da crise da religião. Será que na Idade Média, época de enorme religiosidade e grande poder da igreja, havia uma sociedade mais justa, as pessoas eram mais felizes, os direitos humanos eram mais respeitados? E quem diz a Idade Média diz o século XVI ou XVIII. Será que as crianças que trabalhavam nas minas de carvão do norte de Inglaterra, usufruíram social e humanamente, da forte religiosidade da época? E será que a forte religiosidade de outras épocas evitou guerras, massacres, torturas, persguições, exílios, ausência de livre pensamento? Ou não terá sido precisamente o contrário? Ter existido tudo isso por causa da religião?
Eu não sei se Bento XVI será capaz de me explicar isso. Dizem que ele é um homem bastante culto e inteligente. Admito que sim. Nunca li nada dele e, por isso, dou-lhe o benefício da dúvida. Confesso, porém, que nunca lhe ouvi nada de inteligente e de culto. Bem pelo contrário, apesar do dogma da Infalibilidade Papal.
Bastar-me-ia que ele, enquanto representante dos católicos, aprendesse a ser tolerante. A aceitar concepções do universo e da vida diferentes das dele. E a perceber que não é o facto de uma pessoa ser religiosa só porque tem medo da morte, das doenças, dos acasos da vida ou porque precisa da religião por razões identitárias, que faz dela uma pessoa melhor e do mundo um lugar melhor.
Eu não sou religioso mas vivo muito bem numa sociedade em que a religião existe e até tem um peso sociológico importante. Ser ateu não me inibe de respeitar o próximo, viver bem com os outros e aceitar que vivam de acordo com o que o seu pensamento e consciência consideram ser verdadeiro. Sejam católicos ou não.
Bento XVI não precisa de ser ateu para se tornar tolerante. Mas começo a ficar cada vez mais convencido de que iria ajudar bastante.

21 comentários:

josé manuel chorão disse...

Também sou ateu, desde que me reconheço. A religiosidade passou-me completamente ao lado.
Mas não me dou ao trabalho de me preocupar (ou indignar) com os religiosos; dedico-lhes uma simples indiferença.
Eles parece que se preocupam com os ateus, passam o tempo a achincalhar-nos, a desprezar as nossas opções, a ter piedade (ofensiva) por não sermos como eles; eu não lhes pago na mesma moeda, são-me simplesmente indiferentes.
Reconheço-lhes todo o direito à auto-ilusão, à alienação da vontade própria ou da capacidade de pensar por si mesmos; estão no seu direito, cada qual faz com a vida aquilo que bem entender, desde que não incomode os outros. E a questão é mesmo essa: é que eles incomodam os outros, ao pretender impôr a sua perspectiva a toda a gente.
Não conseguirás, caro amigo, ensinar essa gente a ser tolerante; a intolerância, a arrogância, o desprezo pelos diferentes, são a sua genética, não conseguem ser diferentes disso.
Indiferença, portanto, em relação a esses alienados, é a melhor atitude a tomar.
O papa-açorda que passeie a sua sainha de folhos e os seus sapatinhos abichanados por onde bem entender; em minha casa é que não entra, que aqui só entra quem ama a Liberdade.

Marcelo disse...

Muito bom post. Concordo em género, número e grau embora não tenha quaisquer esperanças que venha a existir qualquer espécie de tolerância por parte da igreja católica a qualquer nível, excepto no que diz respeito a encobrir devaneios e devassas dos seus pares. Nisto sim existe tolerância com fartura.

jrd disse...

Qualquer ateu ou crente,intelectualmente, honesto, sabe que Herr Ratzinger é um 'pecador':

http://bonstemposhein-jrd.blogspot.com/2008/10/com-sombra-de-pecado.html

Anónimo disse...

Acredito algumas "transcendências" (é possível que até nem sejam transcendências), embora não seja de todo religiosa.
Tenho pena dele (Bento) e nem sei bem porquê... Aliás, sinto sempre um misto de medo e de pena de pessoas que se "agarram" a dogmas.
Helena

estela disse...

conheço umas quantas pessoas que consideram ser do benfica é a sua religião (alguns sportinguistas também, confesso). não há como demovê-los ;)

a religião, o futebol e umas quantas outras coisas parecidas em que se acredita, têm um quê de inexplicável. há algo de brutalmente metafísico na religião, um umbral que se atravessa, onde qualquer explicação, razão, causalidade deixa de fazer sentido.
crenças são isso mesmo.
crer em deus, seja ele qual for, não é nada que se possa explicar a um ateu. nem é preciso.

"zangar-se" porque o papa diz isto ou faz aquilo é uma perda de tempo, Zé Ricardo. bento 16 não representa a religião. representa quando muito a igreja católica, pelo menos de modo tão oficial como o cavaco silva te representa a ti e a mim. ou seja: muito pouco.

e um ateu dos pés à cabeça não tem sequer que preocupar-se. caberá aos crentes, sejam eles de que religião, "zangarem-se" com o papa. cabe-me a mim, que sou uma pessoa crente, dizer que ele não percebe nada do emprego que tem.

tu recosta-te, folheia um bocado o tractatus ;) e despreocupa-te.

este é um outro mundo.

eu não sei como é possível não ser religioso, no sentido mais pagão do termo. e por tanto estou (tal como tu no sentido oposto) absolutamente livre de qualquer juízo que um ateu faça ;))))
abraço

Marcelo disse...

Quando leio isso..
*"têm um quê de inexplicável. há algo de brutalmente metafísico na religião, um umbral que se atravessa, onde qualquer explicação, razão, causalidade deixa de fazer sentido. "*

É exactamente aqui que qualquer pessoa que sinta que a vida tem de fazer sentido e as coisas tenham de ser devidamente explicadas, não se satisfaz com explicações infantis e o velho escudo de todas as religiões (não apenas a católica). O escudo do mistério e do incompreensível, onde a RAZÃO deixa de fazer sentido..

Ou seja, na minha humilde opinião, ao perguntar "eu não sei como é possível não ser religioso, no sentido mais pagão do termo." acho que deste a resposta antes de fazer a pergunta..

Mas pronto, é apenas a opinião de um ateu qualquer. Entra a 100 e sai a 200 como o habitual.

Cumprimentos.

José Ricardo Costa disse...

Estela, filha, um homem fica cansado de ser tão diabolizado. Pronto, estou farto, que queres tu que eu te faça? Estou farto, cansado, saturado. Não é um homem qualquer, bolas. Eu entendo que ele se sinta ameaçado por um mundo onde vai deixando de ter importância. Os papas vivem de fiéis como um comerciante vive dos seus clientes. Certo, eu entendo isso tudo. Mas o respeito é bonito. Um comerciante também não pode andar na rua a insultar as pessoas só porque elas não entram na sua loja.
Em relação à última parte do teu comentário. Confesso que a mim me faz uma enorme confusão haver pessoas que não gostam de chocolate (incluindo aqueles austríacos com a carinha do Mozart), toucinhos do céu ou de trouxas de ovos. Meu deus, como é possível! Mas a verdade é que há. Há pessoas cujas línguas reagem negativamente ao sabor dos doces. Eu não entendo essas línguas, juro que não entendo mas o que é certo é que existem. Se agora, de repente, o açúcar deixasse de existir à face da Terra, pessoas haveria que iriam sentir tanto a sua falta como eu sinto a falta dos ministros da educação nas minhas aulas de filosofia. Estela, na vida tudo é possível. Até existirem ateus.... Beijinhos.

estela disse...

@marcelo
tomás de aquino prova a existência de deus. mas só o compreende quem acredita. é assim e não de outro modo ;) se a religião fosse uma ciência... o marcelo ficaria satisfeito, não é verdade?

@JRC
filho, eu sei que ele devia fazer as coisas como deve ser! eu não quis dizer que ele pode insultar à vontade porque não é do teu mundo, mas sim que tu, não sendo do mundo dele, não te deves sequer sentir atingido ;)

a vantagem da religião, ou seja, a vantagem em ser uma pessoa crente, é que se acredita que haja pessoas que não gostam de chocolate. e não faz confusão nenhuma ;)

Marcelo disse...

Estela, a minha resposta é simples:
Imagine que para todas as provas obtidas através de estudos incessantes e FACTOS científicos até hoje, fossem abandonados os estudos e os FACTOS e simplesmente adicionada a ressalva no final de cada teoria: "..mas só compreende quem acredita, é assim e não de outro modo". Que mundo perfeito seria não?

A religião nunca poderá ser uma ciência, por razões mais que óbvias até para quem acredita, por isso a pergunta é incólume e sem sentido.

Já agora, uma noticia em primeira mão: Não existe vida no universo, nós somos os únicos! ..mas só compreende quem acredita, é assim e não de outro modo.. e está encerrado este assunto de uma vez por todas!

estela disse...

@marcelo
:))) nem mais!

m.a.g. disse...

Pois. Correndo o risco e me repetir (já o disse por aí): há muito que deixei de acreditar em leis divinas feitas por humanos duvidosos.
"Felizes" aqueles que acreditam pois para esses está tudo explicado e facilitado. Eu ainda ando à procura de um/a explicador/a.

estela disse...

também corro o risco de me repetir, mas crença não tem a ver com a posse cínica de explicações inúteis! acreditar por exemplo, que este é o melhor dos mundos possíveis, não significa ler diaria e religiosamente a monadologia, sem sentir necessidade de tentar mudar o mundo para melhor.
nada está explicado. e mesmo que eu acredite em deus, não vejo resolvido problema nenhum da minha vida!

engraçado é o ateísmo estar ainda mais ligado a concretudes e nem por isso deixar de ser tão difícil lidar com elas ;)

Marcelo disse...

Estela, lamento desapontá-la, mas quem quer que lhe tenha dito que é difícil aos ateus lidarem com o concreto deve ter sido alguém que também se rege pelas teorias fantasiosas de Tomás de Aquino..

No fundo acho que a Estela tem uma pezinho no ateísmo, mas ainda não teve coragem de dar o passo em frente, a julgar pela quantidade de smilies sarcástico-passivo-agressivos nos posts..

Aproveite a sua propria frase "..e mesmo que eu acredite em deus, não vejo resolvido problema nenhum da minha vida!" e dê o passo em frente!

Ou não.

estela disse...

marcelo, as velas que eu acendia por si!

addiragram disse...

Gostei de ver aqui o quadro de Francis Bacon que encontrei este ano no Vaticano!!!
Mais um bom( mau) exemplo que se perpetua do passado ao presente. Esperemos que consigamos debater algumas destas questões no Colóquio da Sociedade Portuguesa de Psicanálise nos dias 4 e 5 de Fevereiro de 2011." In-Tolerância, a In-Suportável Diferença".
Desculpem, mas não resisti a referir e a publicitar.

Anónimo disse...

Muitas vezes tenho constatado - e tenho-o referido amiudadamente - que considero de muito maior verticalidade e de muito melhor exemplo em matéria de tolerância e respeito os meus amigos ateus que outros que por vezes deixam um certo rasto de incenso...
abraço
jl

Anónimo disse...

Caro José,

Tenho pena de ter chegado tarde a este debate... mas ainda tive o gosto de lhe apanhar o rasto.

Claro que sim: é extenuante e absolutamente reprovável haver um líder religioso que volta não volta anda a bater na cabeça daqueles que simplesmente não acreditam. Mas a verdade é que o Papa não fez isso e o José (que prezo pela sua inteligência e sensibilidade) parece ter sido levado pelo preconceito.

Explico-me: quando o José diz "ficar indignado sempre que um papa, um bispo ou um simples padre vem falar dos perigos do ateísmo e do secularismo, como aconteceu agora de novo com a visita de Bento XVI a Inglaterra, tal como se pode constatar aqui" de facto soa a mania de velho chato e dogmático.

Mas, quando lemos o primeiro parágrafo do artigo que indica, vemos que não foi isso que o Papa fez: "Benedict XVI used the first papal state visit to Britain to launch a blistering attack on "atheist extremism" and "aggressive secularism", and to rue the damage that "the exclusion of God, religion and virtue from public life" had done in the last century". Ou seja, atacou o "ateísmo extremista" e o "secularismo agressivo". Dizer que atacou o ateísmo é uma generalização precipitada. É como dizer que alguém que alerta para o perigo dos radicais islâmicos está contra o Islão.

O resto do artigo desenvolve como o Papa fez a apologia da diversidade e da tolerância religiosa como caminho a procurar.

Penso que ler este outro artigo pode contribuir para ver esta visita à Grâ-Bretanha com outros olhos: "PAPA BENTO XVI, DESCULPE-NOS", da agência Zenit
http://www.zenit.org/article-26091?l=portuguese.

Obrigado pela reflexão!
João Delicado.

José Ricardo Costa disse...

Caro João, é verdade que, neste caso, surge aqui a nuance do "extremismo" e do "agressivo". Mas já noutras ocasiões tenho ouvido ou lido referências bastante negativas em relação ao ateísmo. Ao simples facto de ser ateu ou de vivermos em sociedades simplesmente secularizadas. Aliás, ouvi o seu antecessor, João Paulo II, lançar fortes anátemas em relação a isso. Já estive num casamento em que o padre, na sua intervenção, falava do ateísmo como se os ateus tivessem corninhos e cauda e andassem com um tridente na mão. A própria passagem "rue the damage that "the exclusion of God, religion and virtue from public life" had done in the last century" é bastante duvidosa. Como disse no meu texto, sociedades bem mais religiosas do que a nossa afastaram-se muito mais dos valores certos e que melhor respeitam as pessoas. Ainda que com os erros que é possível encontrar no século XX, penso que nunca como neste século, e falo do mundo ocidental, nunca se respeitou tanto o valor da pessoa.

Grande abraço,

JR

Marcelo disse...

Embora não fosse dirigido a mim, peço desculpas por opinar sobre um detalhe que me parece importante no post do Sr. João Delicado.

O post original refere-se a um artigo no The Guardian.

Já o post que o Sr. João Delicado sugere para que possamos ver a visita do papa à Grã-Bretanha com "outros olhos" vem do Zenit..que alem de citar o "Catholic Voices" como source, descreve-se assim:
"ZENIT é uma agência de notícias internacional sem fins lucrativos, feita por uma equipe de profissionais e voluntários convencidos da extraordinária riqueza da mensagem da Igreja católica"

A surpresa aqui seria se o Zenit falasse mau do visita não?

Nem vou me alongar sobre o tom algo ingénuo e manipulador do artigo a citar editoriais da imprensa britânica fora de contexto ou, como não poderia deixar de ser, a espremer no meio do artigo uma frase violenta de Richard Dawkins..

Tendo em vista o target a que se destina o artigo, deve surtir efeito.

Cumprimentos,

Anónimo disse...

Caro José,

sim, partilho da sua tristeza em relação a essas visões... como lhes chamar?... essas visões primárias da fé ou da ausência dela. É que quem fala sem inteligência da falta de fé é porque também carece dela em relação à fé que vive. E vice-versa: quem fala sem inteligência da fé é porque também carece dela em relação à ausência de fé que vive. São dois lados da mesma moeda.

Caro Marcelo,

o mesmo argumento da fonte citada pode ser usado em relação ao Guardian, auto-denominado "the world's leading liberal voice". Seja como for, seja a fonte que for, há sempre uma linha editorial por detrás. E, de facto, era minha intenção contrapor uma visão diferente em relação à apresentada.

Quanto a Dawkins, do que já li dele: apresenta mais ressentimentos do que argumentos contra a fé; faz sucesso porque faz muito barulho; por isso a citação até é uma concessão, é conceder-lhe demasiada importância.

Independentemente do que os jornais disseram sobre a visita do Papa à Grã-Bretanha, pude acompanhar de muito perto a visita a Portugal em Maio passado e a avaliação final das pessoas, mesmo não crentes, com quem troquei impressões coincidia com a que li neste artigo da Zenit: as pessoas mudam de opinião quando têm oportunidade de ver o Papa de perto. Isso fez-me conceder um alto grau de veracidade ao artigo.

Além disso, parece-me que isso ensina ao menos uma coisa: quando criticamos alguém devemos pensar como falaríamos se tivéssemos a pessoa à frente. É que, nestes temas quentes, é demasiado comum cair nas "boas" fáceis cheias de rancor e com pouca substância.

Enfim. É bom trocar impressões com quem vê as coisas com inteligência e sem filtros deturpadores.

Abraço!
João Delicado.

Anónimo disse...

Partilho de quase todas as suas considerações sobre o ateísmo, sou Ateu convicto, no entanto em relação ao Papa, tenho que admitir, ele é culto e inteligente e vale a pena ler,(mesmo sendo e especialmente por sê-lo; Ateu )o livro do debate entre Paolo Flores d´Arcais ( Professor Italiano ateu ) e Ratzinger ( na altura ainda Cardeal ): Existe Deus? Editora Pedra Angular.
Rapidamente fiquei curioso, em ler as as enciclicas de Ratzinger ( disponíveis no site do Vaticano ), o senhor diz coisas muito acertadas, pena que a Igreja católica não consiga pô-las em prática...mas, enfim somos homens, e entregues a nós mesmos...