29 setembro, 2010

ACUPUNCTURA DA ALMA

                                                                          Francis Bacon

Acho interessante a ideia de  acupunctura urbana, tal como é apresentada por Jaime Lerner, arquitecto brasileiro e ex-governador do Paraná. Diz ele que as cidades, hoje, não podem estar dependentes de grandes planeamentos, de grandes projectos. São caros e demoram muito tempo. A acupunctura urbana é então uma ideia pontual e original no interior de uma cidade, que pode ajudar a criar uma nova energia nessa cidade, ajudando, por isso, o planeamento urbano. Dá como exemplo a pirâmide do Louvre, o Paley Park, um minúsculo mas, segundo ele, o melhor parque de Nova Iorque, ou a Ópera do Arame, em Curitiba. Coisas rápidas mas eficazes. Até porque, diz ele, a acupunctura não pode demorar pois a agulha começa a doer.
Li isto e dei por mim a pensar como seria maravilhosa uma acunpunctura da alma. Espetar umas agulhinhas em certas zonas da alma para que esta, de repente, ficasse logo mais apresentável. Infelizmente, não é possível. Podem ser espetadas algumas agulhazinhas aqui e acolá para a pessoa reagir. A pessoa mais séria do mundo também é capaz de rir se lhe fizerem cócegas nos pés. Mas o que significa esse riso? Uma transformação interior? Não, uma simples e mecânica reacção nervosa devido a um estímulo externo.
A alma é invisível. Não se vê, não se toca. Está lá, bem guardadinha sabe-se lá onde. O que reage é o cérebro, não a alma. Podemos ficar impressionados com a reacção de um cérebro ao qual se fazem cócegas. Quanto à alma, nunca sabemos verdadeiramente o que lá está. Muitas vezes, o melhor é mesmo não saber.

9 comentários:

jrd disse...

Muitas vezes é uma pena, um dó de alma.
Abraço

josé manuel chorão disse...

A alma é invisível, dizes. Claro. Mas existe? Onde?

José Ricardo Costa disse...

Onde? Então, o cérebro é o hardware, a alma é o software.

estela disse...

ok. conheces guerilla gardening?
a acupunctura da alma é isso.
espaços verdes, subversivos, surpreendentes, vindos não se sabe de onde. oxigénio oferecido em abraços ou puxões de orelhas carinhosos. flores frescas que tornam o dia leve.

não há software que resista ;)

José Ricardo Costa disse...

Estela, estou a ver a coisa. O pior são as chuvas ácidas.Não há jardim que resista.

estela disse...

cuvas ácidas são mónadas enegrecidas a desaparecer ;)
algures por aí a jardinagem guerrilheira dá novo sopro à alma.

Rita TSBGC disse...

A Alma vê-se, sente-se e até se cheira.
Vê-se e cheira-se por ausência, isto é, o odor doentio que exalam os desalmados leva-me a crer que os inodores a possuem.
A acumpunctura só funcionará naqueles que, embora tenham um desses bichos, o mantenham anestesiado, as picadas servirão de despertadores, sei, por experiência própria, que cutucar seres sem ligações entre os nervos e o cérebro é inconsequente, quem não sente também não se pica...

José Manuel Vilhena disse...

Não é bem assim, caro José Ricardo.Só lhe digo isto. Há quem consiga. Quer provas?
http://cocegasd-alma.blogspot.com/
http://cocegasnalma.wordpress.com/
Também acredito em cócegas com alma.
:)
ps- isto para já não falar das minhas leituras na Maria.Aí sim.
PS.Estive a ouvir a comunicação do PM,por isso é natural que esteja mais parvo do que o costume... :(

Margaridaa disse...

Não está directamente relacionado, mas mesmo assim: Eu "conheci" Jaime Lerner há pouco tempo através de uma entrevista na rádio. Gostei mesmo muito. Quem quiser ouvir a entrevista que eu ouvi pode ir a
http://linhas.nobolso.net/radio/entrevista-a-jl#respond

Eu acredito nas cócegas à alma. Sinto-as muitas vezes, cada vez que me entusiasmo.