31 agosto, 2010

SAMARCANDA



"O discípulo de um sufi de Bagdad estava um dia sentado numa estalagem quando ouviu duas figuras conversarem. Compreendeu que uma delas era o Anjo da Morte.
-Tenho várias visitas a fazer nesta cidade - disse o Anjo ao seu companheiro.
Aterrorizado, o discípulo escondeu-se até que ambos finalmente se afastaram. Para escapar à morte, aparelhou o mais rápido cavalo que encontrou e cavalgou dia e noite até Samarcanda, uma distante cidade do deserto.
Entretanto, a Morte encontrou o seu mestre, com quem conversou sobre diversos assuntos. «Onde está o teu discípulo?», perguntou a Morte.
-Suponho que está em casa a estudar, como é o seu dever - disse o sufi.
- É estranho - disse a Morte. - Tenho-o na minha lista e vou amanhã visitá-lo a Samarcanda."

(História adaptada de Shah, Tales of Dervishes, in Simon Blackburn, Pense - Uma Introdução à Filosofia, Gradiva)

3 comentários:

jrd disse...

Quando a grande ceifeira escolhe, não vale a pena fugir...(nem para o Uzbequistão)

josé manuel chorão disse...

Não existe o Destino; essa é uma ideia que - à Igreja - deu muito jeito divulgar durante séculos, de modo a atemorizar as pessoas e convencê-las de que nada poderiam fazer para influenciar a sua vida senão encomendar-se a um imaginário Deus qualquer...e contribuir generosamente para a mesma Igreja.
O Destino fazêmo-lo nós, em cada escolha, em cada gesto, em cada pensamento. E assumimo-lo, se não formos demasiado cobardes.
Mas isto é a minha opinião, claro...

Ana Paula Sena disse...

Não adianta fugir... :)