24 agosto, 2010

MEU CORAÇÃO, LÁ NO FUNDO, É VERMELHO

Há dias, no Público, Vasco Pulido Valente, lamentava o facto de o Algarve (onde foi de avião só para estar com amigos) já não ser aquele das praias vazias de outrora e de se ter tornado um destino turístico para pessoas sem a categoria do seu nível social, sendo, por isso, obrigado a conviver com elas.
Eu também conheci o Algarve dos anos 60. Passei férias no Burgau quando ainda era apenas uma pequena aldeia de pescadores com uma taberna e tinha a praia toda para mim.
Mas também gosto muito de estar hoje numa praia e ver a poucos metros de mim pessoas que, no meu tempo de escola primária, andavam rotas e descalças e quase passavam fome, e que hoje têm direito ao seu metro quadrado de areia e de mar.
Sabe Deus o quanto gosto de uma praia só para mim. E não esqueço os dias que passei em praias assim. Mas, olho para o espelho, e tenho a consciência de que o mundo não começa nem acaba em mim.

7 comentários:

Anónimo disse...

Caramba! O professor é um aristocrata comunista! Explico. Em “Ladrões da Noite”, Arthur Koestler, criou um personagem que se torna revolucionário exatamente porque, sendo de condição aristocrática, odeia a miséria. Se os pobres fossem como aqueles seres angelicais que Dickens descreve, diz ele, não haveria por que terminar com a pobreza. Mas os pobres são sujos e brutais, bebem e batem nas mulheres - é por isso que é preciso livrá-los da miséria. Exatamente porque não tem os preconceitos burgueses, o aristocrata pode se colocar nas barricadas ao lado dos oprimidos. Se for esse o seu caso - Deus não permita! – onde vamos parar?!

José Ricardo Costa disse...

Eu, aristocrata?! Eu mal sei pegar nos talheres.
Eu entendo esse comunismo estético de que fala. A pobreza é, de facto, tão aborrecida, que horror!É tão desagradável ver gente deselegante na rua e a falar aos berros.
Mas, acredite, no meu caso trata-se mesmo de uma profunda convicção ética. Sei que não somos nem podemos ser todos iguais. Mas acredito profundamente que todos têm direito a uma vida decente.

jrd disse...

E fica-lhe muito bem a cor.
Eu também acho que todos têm direito a uma vida decente. mas, lamentavelmente, apenas alguns têm direito a uma vida "indecente"...
Quanto ao sr. Vasco Valente Correia Guedes, aka, VPV, hic...hic...

Stella Halley disse...

Temos direito a oportunidades iguais, mas, a partir daí, como são grandes as diferenças!

Também tenho nostalgia de praia particular, com areia branca, água mansa e muitas árvores. E saudades, sobretudo, de longos passeios num bote de pescador, com um livro de companhia.

A praia continua lá, mas os atuais moradores são donos de grandes mansões e belos iates.

josé manuel chorão disse...

O meu coração também é vermelho, pelo lado do Benfica.
Também acho que todos têm direito à praia (se gostam) e ao que mais fôr, sem que ninguem deva ser discriminado por uma questão de classe...mas hoje apetece-me discriminar esse aborto de que falas, o tal Vasco P.V..
Esse tipo é a prova de que os seres humanos ainda não são um produto acabado, de que a evolução da espécie ainda tem muito que andar, não há pachorra para gentalha dessa.
E, já agora, quem raio é que vai de avião de Lisboa ao Algarve? Como diria um amigo meu, "isso é tão gay..."

Anónimo disse...

Como seu coração, lá no fundo, é vermelho, segue uma piada, que sendo, deste lado do Atlântico, tem um Manuel...

Manuel, o Incréu, foi pró céu, e Deus o chamou a Sua Presença para que, vendo o Seu rosto e as Suas grandes barbas brancas se convencesse de Sua existência. E diante de Deus o rosto de Manuel se iluminou, ele abriu os braços e exclamou: “Karl Marx!”.

José Ricardo Costa disse...

E acredito que, desde então, Deus não voltasse mais a ser o mesmo...