26 agosto, 2010

LE TEMP DES CENDRES


Quando os garotos eram pequenos, tínhamos pequenos rituais campestres que alimentavam uma memória física dos ciclos temporais.
Na Primavera, depois do Sol secar as terras molhadas do Inverno, íamos para o campo apanhar espargos selvagens que brotavam junto às oliveiras. Na Quinta-Feira de Ascensão era a espiga. No ocaso do Verão, precisamente nesta altura, era o tempo das amoras, com muita picada de silvas nos braços.
Hoje restam apenas cinzas. O tempo das cerejas deu lugar às cinzas sem tempo.

2 comentários:

Rita TSBGC disse...

pequeno post com cheiro e sabor !!!
Por vezes julgamos serem cinzas e são só sementes preguiçosas, os ciclos ficam para sempre, os filhos guardam-nos em modo invisível até voltarem a precisar de os repetir, por segurança !!!

Margaridaa disse...

Imagem muito bela. Quanto ao texto, se bem que o perceba (Óh tão bem), hum...gosto mais da perspectica do comentário da Rita.É mais leve.