03 julho, 2010

O ÁRBITRO UTILITARISTA

A ética utilitarista é uma ética consequencialista. Mais do que na acção propriamente dita, o valor moral está na consequência da acção. E para sabermos se a consequência é boa ou má existe um princípio, o Princípio da Maior Felicidade: a acção moralmente certa é aquela que maximiza a felicidade para o maior número de pessoas.

Imaginemos então que o árbitro do último Brasil-Holanda, concordando com a ética utilitarista, pensaria assim: "O Brasil tem 197 milhões de habitantes contra 16 milhões da Holanda. Ora uma vitória do Brasil trará felicidade a mais pessoas do que uma vitória da Holanda. Deste modo, se eu fizer batota para que o Brasil ganhe, o valor moral da minha acção está garantido pelo Princípio da Maior Felicidade, ou seja, o importante não é o que eu faço mas a consequência que resulta do que eu faço: a felicidade de 197 milhões de brasileiros que compensa bem a infelicidade de 16 milhões de holandeses". Em suma, um árbitro utilitarista poderia inventar penalties, livres, expulsar injustamente jogadores holandeses e a sua consciência moral sair reforçada.

Platão defendia que o Estado deve ser governado por filósofos. Tenho sérias dúvidas a esse respeito. Mas tenho a certeza de que os árbitros devem ser proibidos de ler filósofos.

7 comentários:

Fred disse...

Os árbitros só têm que fazer uma arbitragem justa e imparcial.

É como se costuma dizer: que ganhe o melhor.



Um abraço!

José Ricardo Costa disse...

E com o azar que tens, espero que nunca apoies a selecção que eu apoio, eheh.

Abraço,

JR

Fred disse...

Agora lá tive sorte...lol

Apoiei a Espanha e lá conseguiram ganhar. Finalmente!

Apoia a Holanda?


Abraço!

sLx disse...

hehe... também já me tinha lembrado dessa. Mas (responderia um árbitro filósofo), se ganhasse sempre o mais populoso (China no mundial, Alemanha no Euro etc.) deixava de haver futebol e lá se iam todas as alegrias.

José Ricardo Costa disse...

Fred, estou muito indeciso. Apoio a Espanha mas a Holanda, depois de perder 3 finais, já merecia um mundialzito. Portanto, a final ideal: Espanha-Holanda, para desgosto das mulheres que, ao que parece, são muito fãs do Uruguai.

Portanto, slx, seria auto-refutante, não é?

Margarida disse...

...a Espanha?!
A Espanha?!
Blargh!
Cambada de traidores, esses!

sLx disse...

Sim, podemos dizer que este critério utilitarista não funciona para lidar com jogos de futebol (e podemos generalizar para outras práticas onde a analogia se aplica). A chatice é que para qualquer critério ético arranjamos situações onde falha. Assim, convém não generalizar demasiado e evitar deitar os vários bebés fora com a água.

E que ganhe a Holanda, um dos menores países ainda em competição!

João Pedro