24 julho, 2010

BOAS FÉRIAS

Embora as sugestões apareçam ao longo do ano, é sempre nesta altura que jornais e revistas mais se enchem de propostas interessantes de possíveis destinos turísticos para depois as pessoas reflectirem e escolherem aquele que mais lhes agrada. Dentro das minhas possibilidades, gostaria igualmente de dar o meu contributo, associando-me assim a esse louvável tipo de iniciativas. Eis, pois, sete sugestivas propostas que me parecem bastante interessantes. A dificuldade estará apenas na escolha do destino a escolher. Boas férias.

16 comentários:

jrd disse...

Faz dois anos tive a felicidade de 'encontrar' Mark Rothko no Hamburger Kunsthalle, numa exposição magnífica da que é a figura mais importante do Expressionismo Abstracto, bem patenteado nas formas rectangulares empilhadas e no impacto das cores conseguido pela sua combinação e contraste.
Boas férias!

addiragram disse...

Boas Férias...sempre em busca de uma abstracção...

Um abraço daqui

Ana Paula Sena disse...

:))

Boas férias!

Gostei imenso das sugestões. De verdade.

joao alfaro disse...

Adorei.
Este texto acompanhado das pinturas é o retrato fiel da importância da arte ( mesmo daquela que ninguém compreende e até crtica veemente) para dizer tanto com tão pouco.
Boas férias.
Atenciosamente.
João Alfaro

marteodora disse...

Igualmente!

Margarida Fernandes disse...

Vou aceitar as sugestões...

Boas férias.

Um abraço

Anónimo disse...

Grande e simpática idéia!
Tenho toneladas de reproduções digitais de Mark Rothko, que sei agora, pelo seu blog, ser um "Expressionista Abstrato" (obrigado, jrd!). O problema é que me sinto super-mal em gostar tanto dessas pinturas. Gosto por quê? Porque gosto... Não fui educado para gostar por gostar. O Romantismo Alemão - e seus epígonos - são anátema aqui em casa. Boas férias! Tome lindos vinhos!

Anónimo disse...

Walter Benjamin evoca, em suas "Teses sobre a Filosofia da História", os insurrectos da Revolução de 1830 que teriam manifestado simbolicamente seu desejo de barrar o tempo ao descarregar seus fuzis sobre os relógios... Esse também é o seu desejo? Cuidado! Depois da férias as aulas recomeçam...

José Ricardo Costa disse...

Fique descansado. Eu gosto muito de relógios, jamais iria disparar sobre eles. Os ponteiros param mas os relógios ficam intactos. Depois voltam a andar. Como diria o Huxley, o tempo tem que parar. Mas o tempo também não pode parar. Felizmente.

JR

Margarida disse...

Ó por amor de Deus! Os professores e as guerreiras nunca têm férias...
Que é lá isto?!
Chega de pausa, back to work, que nós andamos por aqui...
:(

José Ricardo Costa disse...

Caríssima Margarida, o relógio ficou temporariamente sem corda e, com este calor aburdo e infame, nem dá vontade de levantar do sofá para me aproximar dele. Deixe lá o tempo refrescar um pouco.
Obrigado pela atenção.

JR

Anónimo disse...

Ilustríssimo:

Ilustríssimo:

(O caderno de cultura da Folha de São Paulo, que se chamava “Mais!”, o que era ridículo, agora se chama “Ilustríssima”... Tudo pode piorar!)

Depois que postei meu lamentável comentário sobre Mark Rothko, uma idéia ficou rondando minha cabeça. Geralmente, tento pensar o menos possível, pois tenho medo de pegar meningite. Mas dessa vez resolvi correr o risco e peço desculpas antecipadas pelo tédio que posso lhe provocar.

Onde uso Mark Rothko? Nas minhas montagens de fotografia. Ele serve lindamente como pano-de-fundo. É por esse motivo pratico que gosto muito dele. Colocaria uma reprodução de M.R. na parede de minha sala? Certamente que não, como não colocaria também um Picasso (nem da fase azul). Gostaria de ter “A Queda de Ícaro”, que o Sr. postou a pouco tempo, ou “A Construção da Torre de Babel”, ou talvez “o pedaço de parede amarela”, chamado “Vista de Delft”. Muito Kitsch? Pois é.

Acho que para gostar de “maneira culta” de um Mark Rothko a pessoa deve ter feito um curso de história da arte ou ser ele mesmo artista: ter prazer com a textura. Ter uma boa base cultural exterior ao objeto estético. Nada contra, mas é como ocorre com a música dodecafônica. Música para maestros ou filósofos musicalmente cultos como Adorno (que abominava o jazz). Nem precisa dizer: ninguém deve pedir desculpas por ser culto e sofisticado.

Mas quem teria coragem de levar uma moça para uma ópera, seguida de vinho e jantar, se a ópera fosse “Nixon na China”, de John Adams? Já um Dom Giovanni ou Turandot, a história é outra, salvo se a princesa estiver vestida de macacão (o fato-macaco dos senhores) e não de gelo, como em algumas montagens heterodoxas.

Acho que em termos culturais estamos vivendo um daqueles “períodos intermediários” da história Egípcia Antiga: tempos de caos, balburdia, desorientação e franca decadência. Visitar uma exposição de arte contemporânea é fazer uma visita a um museu de horrores (corpos despedaçados, madonas pintadas com fezes, tubarões cortados ao meio, pianos de cabeça para baixo pendurados no teto, cubos de carne fresca e por aí vai). Ok, devemos sondar o lado negro da alma humana, mas geralmente preferimos umas férias na Provença a uma visita guiada a Auschwitz ou a Lubianka.

Quem lê Badiou, Zizek, Lacan, Heidegger, Adorno por prazer? Lê-se por necessidade e senso profissional. Desde Kant, no geral, a leitura filosófica abriu mão do prazer. Por prazer, lemos o “Dicionário Filosófico” de Voltaire, “O Sobrinho de Rameau” ou “Parerga e Paralipomena”. Ou então, um romance policial, já que Wittgenstein nos autorizou... “Realmente, não consigo entender como se possa ler Mind em vez de Street and Smith”.

Acho que baixou em mim o espírito de Alexander Bogdanov e sua Proletkult... Deus não permita!

Atenciosamente,
C.

PS: Professor, substitua, por medida tática, o vinho pelo chope. E vá a praia. É como fazemos por aqui.

José Ricardo Costa disse...

Caríssimo C.,

Antes de mais deixe-me lhe dizer que o seu comentário é absolutamente delicioso. E concordo com quase tudo o que diz. Sabe, o Hegel lá sabia o que dizia quando falava na morte da arte. Onde ele falhou foi em não ter previsto igualmente a morte do pensamento.
É verdade que hoje não se pode pintar como o fazia Rembrandt ou Vermeer. Os impressionistas franceses também levaram uma valente sova da academia. Beethoven morreu no século XIX, as suas sinfonias são do século XIX e hoje seria impossível compor música daquela maneira.
Noutro registo, também S. Tomás de Aquino, se vivesse hoje em Paris, Roma, Londres ou Nova Iorque, já não escreveria a Summa. Escreveria outra coisa e com outros conceitos e categorias.
Quanto a isto, não há volta a dar. Agora, quanto ao gosto, cada um gosta do que quer. E eu também gosto mais dos clássicos. E preferiria ir com uma moça ver uma exposição de Ticiano do que uma instalação feita por um electriscista ou um carpinteiro que acordou um dia a pensar que era artista. Do mesmo modo que preferia levar a moça a ver a Madame Butterfly e depois ir cear à luz da vela e fazer a digestão pelas ruas de Paris do que ir ouvir duas horas de Xenakis e depois ir discutir o Zizek num bar com música em altos berros. Mas gostos não se discutem, não é verdade?

Grande abraço,

JR
P.S. E cadê as suas montagens de fotografia?

Margarida disse...

Ai que anónima(o) tão interessante!
Apeteceu-me copiar o texto todo e levar comigo, mas enfim, "C" é pouco identificativo e eu tenho horror a anónimos; defeito meu.
Assim, sim. Um dia, noutra vida (porque nesta não conseguirei mesmo!), gostava de de 'falar' assim...
Professor, o calor está atroz e ainda leio o 'Manifesto dos Animais', depois será 'Os olhos amarelos dos crocodilos' da senhora francesa que faz furor e a seguir, na rentrée, prometo aplicar-me na filosofia.
Boas férias e respeitosa vénia à nossa V.
:)

Margarida disse...

...pensando bem..., que se esturrem ainda mais os neurónios: vou 'levar' mesmo, mais o seu retorno!
:)
Não existem desculpas para a preguiça mental!
:)) eu é que ando demasiado calaceira, carago.. ai! oops!

José Manuel Vilhena disse...

...adivinha-se mar...
Boas férias e um abraço