17 junho, 2010

DOS CONSERVADORES



Um dia uma senhora pediu a Einstein três conselhos sobre o que fazer com o filho para que este se pudesse tornar um grande génio como ele. E o físico aconselhou:
1. Ler contos de fadas.
2. Ler contos de fadas.
3. Ler contos de fadas.
Esta resposta permite várias leituras. A mais óbvia remete para questões de natureza cognitiva relacionadas com o desenvolvimento da inteligência. Mas há uma outra que, não sendo explícita ou até podendo mesmo lá não estar, me agrada especialmente.
Aquela criança poderá vir a tornar-se um dia um grande físico. Mas o mundo da ciência e da técnica nada vale se desenraizarmos o ser humano de uma ligação a certos arquétipos, mundos imaginários, mitos, tradições. Porquê? Porque a ciência e a técnica evoluem, nunca param, caminham sempre com uma seta apontada para o futuro. Mas o imaginário histórico e infantil, por seu lado, permitem prender o homem a um sentido primordial e a-histórico, seja estético, religioso, ritual, moral ou meramente lúdico, que resiste à passagem do tempo e o alimenta de eternidade e intemporalidade. E quem diz contos de fadas, diz histórias bíblicas, mitos homéricos, imortais histórias infantis, as lendas que dão uma identidade a cada povo e a cada cultura.
Não há nada de mais perigoso do que renegar o passado só porque é passado. Não há nada de mais histérico e pindérico do que a obsessão pela modernidade só porque é modernidade.
Há coisas que resistem ao tempo durante séculos ou anos, não por acaso mas porque são boas, porque fazem falta e contribuem para tornar a vida melhor, mais bela e mais emocionante.
Há muita gente, hoje, que não entende isto. Pior para elas, é verdade. Mas também pior para todos, pois muitos deles têm os nossos destinos nas suas mãos.

1 comentário:

jrd disse...

"Mas também pior para todos, pois muitos deles têm os nossos destinos nas suas mãos."
Terrível final de poste. Não há conto de fadas que lhe valha.