06 junho, 2010

BATER NO FUNDO


Eu leio isto e não quero acreditar:

"- A sala de aula já não é o espaço mais importante da escola, acredita a Parque Escolar. A arquitectura poderá transformar o ensino. -
Uma escola descentrada da sala de aula, em que os alunos se espalham por espaços informais, com os seus computadores portáteis, cruzando-se com os professores na biblioteca e discutindo projectos - é esta a visão que a Parque Escolar tem para o ensino em Portugal".

Vale a pena ler todo o artigo, ainda que isso implique uma tremenda crise de nervos e uma sensação de absoluto desespero. Eu, sendo professor, vejo tudo ruir à minha volta. Só quem está dentro da escola e assiste, diariamente, ao mais puro delírio em que se transformou o ensino em Portugal desde Roberto Carneiro e de toda uma Nomenklatura cientítica que se apoderou do ME, poderá ter uma percepção real do problema.
É muito difícil entender que uma escola consiste numa sala de aula na qual um professor que sabe tenta ensinar 28 alunos ignorantes sentados à sua frente? Que foi assim que se formaram gerações e gerações e gerações de cientistas, advogados, médicos, economistas, professores ou simples cidadãos com níveis razoáveis de literacia e cultura e preparados para exercer de modo competente uma profissão?
Dizem, hoje, os teóricos da coisa, que o professor e os alunos já não são o que eram. Que os alunos aprendem com o professor mas o professor também tem muito a aprender com os alunos. Pois, acredito perfeitamente. Em disciplinas como Área de Projecto ou Formação Cívica, os professores devem, na verdade ter muito a aprender com os alunos.
Eu sou professor de filosofia há 23 anos e desafio qualquer fedelho que tenha sido meu aluno a vir dizer-me que eu aprendi alguma coisa com ele. No dia em que um aluno me venha dizer que me ensinou alguma coisa de filosofia, meto baixa psiquiátrica e peço a reforma antecipada logo de seguida.

3 comentários:

José Manuel Vilhena disse...

De skate.É o segredo.Andar no parque escolar de Skate.Ainda hei-de ler profundas reflexões pedagógicas sobre o inconveniente dos patins para o processo ensino-aprendizagem...

manufactura disse...

...e porque não um parque temático??? Com o sócrates a cruzar com os alunos e fazer os malabarismo que tanto sabe...

DESIGN TÊXTIL disse...

Finalmente discordo. A escola perfeita seria aquela em que a avaliação não é passada para o aluno. Isso deveria ser proibido e assunto só dos professores. O aluno, ou passa ou não passa. O que interessa se passou com 10 ou com 20? Um bom médico vai ser aquele que tirou 20, mas que até nunca faz plantões, chega atrasado, é odiado pelos colegas, trata os doentes como objetos, que é capaz de passar uma receita com letra ilegível...ou aquele que tira 10, mas que é muito responsável, não falta a um plantão, respeita o doente escrevendo com letra legível, não o fazendo esperar, pesquisando a cura...
Acho o ensino demasiado obsoleto. Ainda existe principalmente em portugal uma distancia muito grande entre o Sr Dr Eng., ou o Exmo Sr Dr. e o Sr jardineiro por exemplo
Ai para quê isso??? Um arquiteto, trata a empregada de limpeza dele por Sra Da empregada de limpeza Maria??? Ai poupem-me. Não tenho muita paciência para estas formalidades que a escola insiste em manter.
Não tem nada a ver com falta de respeito, tem a ver com evolução. Um caminharmos todos juntos em busca de um país melhor, cheio de pessoas realizadas e felizes. Não interessa quem ensina quem, e o que é que ensinam. O que interessa é que todos aprendem qualquer coisa. Juntos. Numa linha horizontal.
Para que interessa saber quem sabe mais ou menos? Se os professores sabem mais que os alunos??!! Isso já é sabido, não precisa de ser reforçado!!