29 maio, 2010

PESSOAS E ÁRVORES

Um grupo de jovens toma chá ou o pequeno-almoço num daqueles ingleses dias em que o ar se torna livre para nele poder estar. O ar deve estar, pois, ameno e tendo como música de fundo o verde chilrear dos pássaros. Não há grande entusiasmo mas vislumbra-se uma serenidade primaveril. A rapariga do fundo ri. Dá para entender que ela é que fala enquanto os outros ouvem.
Há, porém, duas marcas terríveis nesta foto, como se fossem duas profecias pairando sobre as suas cabeças. Por um lado, a ligeira desfocagem das árvores (árvores que, na realidade, naquele espaço e naquele tempo, não estão desfocadas), dando à cena um sentimento de vertigem e perdição. Por outro, as mesmas árvores desfocadas que começam a surgir corroídas pelo tempo ou envelhecimento da própria fotografia.
Como se aquela fotografia tivesse ao mesmo tempo a pretensão de registar o momento para a eternidade mas, sendo de papel, não nos deixasse esquecer o carácter efémero de toda a experiência humana. Tão frágil e delicada como uma árvore.

1 comentário:

José Manuel Vilhena disse...

Gosto bastante da associação...
um abraço