16 maio, 2010

IVAN TURGENIEV - PRIMEIRO AMOR


"From that day my 'passion' began. What I experienced then, I remember, was something similar to what a man must feel when first given an official post. I had ceased to be simply a young boy; I was someone in love. I say that my passion began from that day; and I might add that my suffering began from that day too. In Zinaida's absence I pined: I could not concentrate. I could not do the simplest thing. For whole days I did nothing but think intensely about her. I pined away, but her presence brought me no relief. I was jealous and felt conscious of my worthlessness. I was stupidly sulky, and stupidly abject; yet an irresistible force drew me towrds her, and it was always with an involuntary shiver of happiness that I went through the door of her room". Ivan Turgeniev, First Love

Cheguei a Turgeniev através de Isaiah Berlin. Ele e Alexander Herzen são as grandes referências do filósofo e professor de Oxford e não Aristóteles, Espinosa Kant ou Bertrand Russell. First Love (não conheço tradução portuguesa), publicado em 1860, começa com uma conversa entre três amigos já adultos, que são desafiados a relatar o seu primeiro amor.
Para os adultos que já não se lembram como foi e que se querem sentar a ver postais ilustrados antigos no interior da sua consciência, este é o livro ideal. A capacidade de penetração do escritor russo no interior de uma juvenil consciência humana chega a ser arrepiante. Como se de uma radiografia à alma se tratasse, abrangendo ao mesmo tempo os fluidos do mundo transformados em estados internos, em simples sensações humanas que, por sua vez, transformam o mundo num reflexo de tais estados.
Este livro é um daqueles que mostram como a literatura é infinitamente bem mais interessante do que a psicologia.

5 comentários:

pmramires disse...

Turgeniev foi um génio. Não é um escritor redutível ao gosto: ninguém gosta nem deixa de gostar de Turgeniev; tudo o que escreveu está acima disso. Não conheço um parágrafo, uma frase, uma letra que não seja nobre, bela e enxuta. Há quem lhe aponte como defeito a recurso exagerado ao ponto e vírgula, mas não me pareceu nada.

[Li sempre em português. "O primeiro amor" tem uma tradução com dois anos, mas por acaso li a mais antiga (é a que há na biblioteca).]

José Ricardo Costa disse...

Fui agora confirmar e, de facto, existe pelo menos uma versão na Relógio de Água.

Abraço,

JR

José Borges disse...

Que aliás, tem estado a reeditá-lo com belas traduções de António Pescada. Pais e Filhos faz parte do meu cânone!

addiragram disse...

Infelizmente li há muitos e muitos anos e a memória desfocou. Irei relê-lo.
A Psicologia aprende com os escritores e poetas e tenta chegar, onde eles já chegaram primeiro...

C.M. disse...

Este seu texto deu-me uma vontade irresistível de voltar a ler os autores russos, coisas da minha adolescência...